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Surto de ébola leva Uganda a adiar importante festival cristão

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O Uganda adiou hoje a peregrinação anual do Dia dos Mártires, que atrai milhares de cristãos, devido ao surto de febre hemorrágica de ébola na vizinha República Democrática do Congo (RDCongo).

"Após consultas com a equipa nacional de resposta à epidemia e com os líderes religiosos, decidimos adiar o Dia dos Mártires", que se devia realizar a 03 de junho, disse o Presidente do Uganda em comunicado.

Yoweri Museveni explicou que a decisão foi tomada "porque o Uganda recebe milhares de peregrinos todos os anos vindos do leste da RDCongo, que enfrenta atualmente um surto de ébola" e "para proteger a vida de todos".

A Organização Mundial da Saúde declarou hoje uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, o segundo nível mais elevado de alerta, face ao surto de ébola na RDCongo.

Segundo os dados mais recentes, divulgados no sábado pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças de África (Africa CDC), a agência de saúde da União Africana, foram registadas 88 mortes provavelmente causadas pelo vírus, num total de 336 casos suspeitos.

No Uganda foram reportados dois casos confirmados, sem ligação aparente, na capital Kampala, entre pessoas que viajaram da RDCongo.

O vírus Ébola provoca uma febre hemorrágica muito contagiosa. Não existe vacina ou tratamento específico para a estirpe Bundibugyo do vírus, responsável pelo surto atual e que apresenta uma elevada taxa de mortalidade.

Segundo a OMS, o ébola é transmitido por fluidos corporais e provoca febre alta, fraqueza intensa e hemorragias.

O surto ocorreu em Ituri, uma província que faz fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul, localizada no nordeste da RDCongo. O acesso a determinadas zonas da província é dificultado pela violência perpetrada por grupos armados.

Um primeiro caso foi também confirmado em Goma, uma importante cidade no leste do Congo controlada pelo grupo armado antigovernamental M23.

O último surto na República Democrática do Congo ocorreu no final de 2015, na província de Kasai (região centro), sendo este o 16.º no país desde que o vírus foi descoberto, em 1976.