IA pode ser "ajuda muito importante" no combate a fogos
O secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, defendeu hoje, em Figueira de Castelo Rodrigo, que é preciso aproveitar "a oportunidade da Inteligência Artificial" no combate aos incêndios para "ajudar a antecipar e preparar cenários".
"A Inteligência Artificial [IA] aplicada a dados históricos tão grandes, como os que temos na Autoridade [Nacional de Emergência e Proteção Civil], pode ser muito importante para antecipar e para preparar um conjunto de cenários na parte operacional", disse à agência Lusa o governante.
Rui Rocha participou hoje, em Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda, na apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) da Comunidade Intermunicipal Região Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE).
O secretário de Estado da Proteção Civil considerou que o recurso à IA pode contribuir para "melhorar a operacionalidade do sistema de Proteção Civil, a mobilidade dos meios no terreno e ajudar a tomar as melhores decisões".
"Temos de utilizar tudo aquilo que são novas ferramentas e temos desenvolvido esse trabalho, com o secretário de Estado da Digitalização, porque é algo que queremos muito explorar", sublinhou.
O governante adiantou que já reuniu a esse propósito com Bernardo Correia e vai voltar a reunir na próxima semana.
"Vamos perseguir muito essa oportunidade, vamos ver se conseguimos que o dispositivo [de combate a incêndios rurais] possa recorrer à IA ainda este ano, mas é algo que nós queremos incrementar cada vez mais, também na parte operacional", declarou Rui Rocha.
Em Figueira de Castelo Rodrigo, o secretário de Estado da Proteção Civil falou também na possibilidade de alargamento do prazo para a limpeza de terrenos.
"Isso já aconteceu no ano passado. O prazo neste momento é 31 de maio para todo o território e 30 de junho para as zonas mais afetadas pelo comboio de tempestades, mas o que pretendemos é que, até ao final do mês, possamos avaliar as condições para que este prazo possa ser estendido", admitiu.
"Muitas entidades e também privados têm pedido que o período deve ser mais extenso, ainda mais este ano, em que há muita falta de mão de obra e muito trabalho para fazer", acrescentou.
"Como [o alargamento do prazo] também depende das condições meteorológicas, aquilo que nós queremos avaliar no final deste mês é a possibilidade da extensão desse período para que as pessoas possam continuar a fazer essa limpeza".
Rui Rocha voltou a reiterar que "todos temos de fazer a nossa parte" na limpeza de terrenos, que "é muito importante para garantir as melhores condições para o combate aos fogos".
"É preciso termos um compromisso coletivo, autarcas, populações e agentes da proteção civil", sublinhou.
O secretário de Estado insistiu ainda que este verão vai ser uma "época difícil", mas disse ter "confiança que o dispositivo (...) ao dispor do país está preparado para aquilo que possam ser estes meses".
"O DECIR terá na sua fase mais crítica, em julho, agosto e setembro, mais de 15 mil operacionais, mais de 350 veículos e 50 máquinas de rasto. São mais meios do que no ano passado, mas estamos sempre muito condicionados pelas condições meteorológicas".
Rui Rocha também destacou o alargamento do uso de retardante, que passa a estar disponível nos centros de meios aéreos de Vila Real, Viseu, Proença-a-Nova e Cernache.
"No ano passado só tínhamos retardante em Santarém, é um recurso que pode ser muito importante para a primeira intervenção", assumiu.
O governante garantiu também que o dispositivo vai contar com mais meios aéreos, designadamente dois helicópteros 'Black Hawk' da Força Aérea, que deverão ser deslocalizados de Ovar para a base de Monte Real.
"Além dos bombeiros, vamos ter também mais três grupos de ataque ampliado, uma força especial de proteção civil com mais 64 elementos que resultaram da recruta, o que também é muito importante para este combate que tem que ser mais musculado nalgumas situações".