Minha Outra Mãe, a Mãe de Fátima
Como mãe me foi dada, de mansinho,
Por meu pai e minha mãe com o pão,
Era de sete, ou menos, o maninho,
A rezar o terço com sua bênção.
Pelos oito ir a Fátima com crianças,
Era meu desejo, fazer romaria
E pedir à Mãe do Céu, mil esperanças
Padre Ferreira punha condição:
Toda a criança, à Cova da Iria,
Vai já com a primeira comunhão;
E saber doutrina, é preparação.
Se minha mãe disse sim, não sei bem,
Fiquei a cismar que ela ia ensinar
De cor; e eu, as ovelhas guardar,
De catecismo na mão, e aprendia
Lendo sobre a fé o mais que podia.
Dias antes da peregrinação
O Padre pede-me: diz a doutrina.
E depois, à divindade trina,
Celebra e me dá o Cristo-Pão.
E fui a Fátima com multidão,
Pais e as crianças da Cruzada,
Era o ano vinte da Visão dada.
E fui noutros anos, de coração.
Já na escola de João hospitaleiro
Fui de Maria feito escudeiro
Com escapulário bento do Carmo
E medalha milagrosa “du Bac”
Uma bênção para longo carreiro.
Aires Gameiro