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Corina Machado diz que morte de preso político venezuelano foi assassínio

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A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, classificou como assassínio a morte do prisioneiro político Víctor Quero, que durante meses foi dado como desaparecido pela mãe, Carmen Navas.

"Víctor Hugo Quero Navas foi detido pelo regime a 03 de janeiro de 2025. Fizeram-no desaparecer, torturaram-no e assassinaram-no", afirmou Machado, na quinta-feira, numa mensagem nas redes sociais.

A opositora recordou que "durante 16 meses, a senhora Carmen, sua mãe, andou de prisão em prisão numa busca desesperada" e, assegurou que a "resposta foi a troça e o silêncio" e só na quinta-feira é que confirmaram o falecimento de Quero.

"Isto não é apenas uma tragédia; é um crime contra a humanidade cometido com total impunidade. É o horror sistemático contra uma nação que exige justiça", acrescentou a também Prémio Nobel da Paz de 2025.

O Comité dos Direitos Humanos do partido de Corina Machado, Vente Venezuela, tinha condenado anteriormente, num comunicado publicado na rede social X, "a trágica notícia sobre o assassínio de Quero.

Na opinião do Comité, este "não é um falecimento comum", mas sim "um assassínio perpetrado por forças repressivas em El Rodeo I [onde Quero permanecia, segundo o Governo], um centro de tortura onde se cometem tratamentos cruéis e desumanos e no qual permanecem atualmente dezenas de presos políticos venezuelanos e estrangeiros".

O Governo da Venezuela confirmou na quinta-feira a morte de Quero, embora o falecimento tenha ocorrido em julho de 2025, segundo um comunicado do Ministério dos Serviços Prisionais, facto que tem sido questionado por várias organizações e líderes da oposição.

Quero foi detido em 03 de janeiro de 2025 e permanecia detido na prisão El Rodeo I, perto de Caracas, mas foi transferido para um hospital a 15 de julho, por apresentar "hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda", segundo a versão do Governo.

"Após dez dias sob cuidados médicos, a 24 de julho de 2025, às 23:25, faleceu devido a insuficiência respiratória aguda secundária a tromboembolismo pulmonar", afirmou o ministério.

O Ministério Público anunciou o início de uma investigação criminal, depois de a Provedoria do Povo e várias organizações não governamentais terem solicitado uma investigação exaustiva e independente sobre a morte do preso político.

Na terça-feira, a organização não-governamental Comité Pela Libertação dos Presos Políticos (ClippVe) na Venezuela denunciou que estão presos na cadeia de El Rodeo I dois portugueses em condições desumanas e com restrições, sendo necessárias "ações diplomáticas ativas e firmes" para serem libertados.

"Em El Rodeo I, há dois portugueses em condições horríveis, tal como os venezuelanos, e o que podemos dizer é que, apesar do inferno que eles vivem, os presos políticos venezuelanos têm tentado ajudá-los dentro do possível (...). Estão numa cela de 2x2 metros, com apenas uma cama de cimento e uma latrina (...) têm restrições de alimentação, medicação e hidratação e não lhes permitem [fazer] nem um telefonema", explicou à Lusa a porta-voz da ClippVe, Andreína Baduel.

Dados atualizados da organização Encontro, Justiça e Perdão dão conta de que na Venezuela há 667 presos políticos, entre os quais cinco portugueses.