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Faleceu mãe de preso político que morreu sob custódia do Estado na Venezuela

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Jornalistas, políticos opositores, advogados e ativistas confirmaram, domingo, a morte de Carmen Teresa Navas, 82 anos, a mãe que durante mais de 16 meses denunciou que o filho, Víctor Hugo Quero Navas, estava desaparecido desde janeiro de 2025.

A morte, por dificuldades respiratórias, teve lugar 10 dias após as autoridades venezuelanas confirmarem que Víctor Hugo Quero Navas tinha morrido sob custódia do Estado e depois de Carmen Teresa Navas mandar celebrar uma missa ao filho, na sexta-feira, na Igreja de La Candelária em Caracas, na qual participou.

Entre os políticos que expressaram pesar está a líder da oposição Maria Corina Machado, para quem "não morreu apenas uma mãe", mas "uma mulher que transformou a dor em coragem e o desespero em denúncia".

"Durante meses, procurou o seu filho Víctor Hugo; percorreu prisões, tribunais e repartições de um Estado que lhe respondeu com silêncio, humilhação e mentiras. Nunca deixou de exigir a verdade. Nunca desistiu. Nunca deixou de lutar", explicou na rede social X.

Segundo Maria Corina Machado, esta mulher deixa uma imensa lição de perseverança e dignidade.

"Uma mulher com mais de 80 anos que enfrentou, sozinha e sem medo, todo um aparato de terror que queria apagar o seu filho e destruir a sua família", conclui.

Também na X, o opositor Leopoldo López recordou que Carmen Teresa Navas enfrentou silêncios, indiferença e olhares endurecidos pela burocracia e pela desumanização, mantendo-se de pé apenas pela esperança de encontrar justiça.

"Partiu uma mãe marcada pelo sofrimento, pela angústia e pela ferida irreparável que deixou a morte do seu filho sob a custódia do Estado venezuelano (...) esta realidade deveria abalar a consciência de todo um país", sublinhou.

Por outro lado, a Plataforma Unitária Democrática (PUD), que reúne os principais partidos da oposição, convocou os venezuelanos, dentro e fora da Venezuela, para realizarem, pelo meio-dia local de hoje (15:00 horas em Lisboa) um minuto de silêncio em memória de "uma mãe que morreu esperando a verdade e justiça".

"Que este minuto de silêncio lembre ao mundo que há dores que não podem ser normalizadas e perguntas que continuam sem resposta", explica.

Organizações como o Comité Pela Libertação dos Presos Políticos (Clippve) solidarizaram-se com os familiares e destacaram o "símbolo de amor de uma mãe que nunca se rendeu".

"[Símbolo] também de resistência e dignidade perante a crueldade. A sua fé, coragem e luta incansável deixam uma marca indelével naqueles que se sentem acompanhados pelo seu exemplo e continuam a exigir verdade, justiça e liberdade (...) A sua memória reafirma o nosso compromisso com a verdade, a justiça, com o encerramento de todos os centros de tortura na Venezuela e a não repetição de tanta dor", lê-se na mensagem do Clippve na X.

Segundo o Programa Venezuelano de Ação e Educação em Direitos Humanos (Provea), Carmen Teresa Navas "faleceu este domingo 17 de maio de 2026 sem ter obtido justiça".

Em 07 de maio, as autoridades venezuelanas confirmaram a morte de Víctor Hugo Quero Navas (52 anos), que estava desaparecido desde que foi detido, em janeiro de 2025.

"Em 15 de julho de 2025, foi internado no Hospital Militar Dr. Carlos Arvelo, após apresentar hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda. Após 10 dias sob cuidados médicos, em 24 de julho de 2025 faleceu devido a insuficiência respiratória aguda secundária a trombo embolismo pulmonar", explicou o Ministério do Serviço Prisional (MSP) num comunicado.

Segundo o MSP, o detido esteve preso no El Rodeo I, prisão para onde se dirigia com frequência a mãe, à espera de notícias.

Segundo a organização não-governamental (ONG) Justiça, Encontro e Perdão (EJP), na Venezuela estão detidas 663 pessoas por motivos políticos, 86 delas mulheres e 577 homens.

Em 14 de maio, segundo a EJP, estavam presos 27 cidadãos estrangeiros,

Desses, a comunidade lusa local indicou que cinco têm nacionalidade portuguesa.