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Presidente do Uganda toma posse para sétimo mandato após 40 anos no poder

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O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, no poder desde 1986, tomou hoje posse para um sétimo mandato de cinco anos, após vencer as eleições de 15 de janeiro que a oposição classificou de fraudulenta.

Museveni foi investido, pela sétima vez, chefe de Estado no recinto cerimonial de Kololo, na capital, Kampala, onde decorreu um desfile militar supervisionado pelo filho, o general Muhoozi Kainerugaba, chefe das Forças Armadas e presumível sucessor ao cargo.

Uma salva de 21 tiros de canhão marcou o momento em que o mandatário, de 81 anos, colocou a mão sobre a Bíblia e a Constituição, recitando o juramento presidencial perante o presidente do Tribunal Supremo, Flavian Zeija.

Durante o discurso, Museveni instou os ugandeses a trabalharem arduamente e a construírem riqueza para as suas famílias, citando histórias de indivíduos cujo espírito empreendedor deu frutos.

Na cerimónia, destacou-se a ausência da primeira-dama, Janet Kataaha Museveni, de 77 anos, que costuma comparecer em eventos nacionais.

Estiveram presentes vários chefes de Estado do continente, como os Presidentes da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan; Sudão do Sul, Salva Kiir; Moçambique, Daniel Chapo; Burundi, Évariste Ndayishimiye; Somália, Hassan Sheikh Mohamud; e da República Democrática do Congo (RDCongo), Félix Tshisekedi.

Museveni obteve nas eleições de 15 de janeiro 71,65% dos votos, no meio de acusações de fraude por parte do principal rival, o músico e opositor Bobi Wine, de 44 anos, que ficou em segundo lugar, com 24,72% dos votos.

O líder da oposição, cujo nome real é Robert Kyagulanyi Ssentamu, fugiu do país após o escrutínio, alegando temer pela vida, depois de o exército e a polícia terem assaltado a sua casa em Kampala.

A jornada eleitoral foi marcada por atrasos devido a problemas técnicos e ao bloqueio temporário da 'internet', após meses de interrupções dos comícios de Wine mediante o uso de gases lacrimogéneos e munições reais, e da detenção de cerca de 550 pessoas, segundo dados das Nações Unidas.

Museveni chegou ao poder em 1986 depois de liderar uma guerrilha que derrubou o antecessor, Tito Okello, pondo fim a um ciclo de duas décadas de instabilidade política.

O governante alterou a Constituição duas vezes para eliminar limites de idade e de mandato, o que lhe permitiu candidatar-se mais uma vez às eleições.

Museveni, um aliado dos Estados Unidos na segurança regional, é frequentemente creditado por presidir com uma relativa paz e estabilidade. No entanto, há quem o veja cada vez mais autoritário, em desacordo com a promessa inicial de democracia.