Centristas reúnem-se este fim de semana para escolher nova liderança
O CDS-PP realiza este fim de semana o seu 32.º Congresso, em Alcobaça, para eleger os novos órgãos, com dois candidatos à liderança, o atual presidente, Nuno Melo, e o antigo deputado Nuno Correia da Silva.
Nuno Melo lidera do CDS-PP desde 2022 e apresenta-se como uma solução de continuidade. Quando apresentou a candidatura, considerou ser tempo de o partido "ganhar músculo" para se tornar "mais forte e mais afirmativo".
O recandidato à liderança afirmou que a sua moção, com o título "Tempo de futuro", consolida um caminho iniciado em 2022, que "demonstrou o CDS como um partido fundamental numa direta que soma, mas que também é responsável, garantindo estabilidade ao serviço de Portugal".
A estratégia eleitoral seguida por Nuno Melo, que passou por concorrer a eleições em coligação com o PSD, permitiu ao partido voltar a integrar um governo e regressar à Assembleia da República.
Na sua moção de estratégia global, Nuno Melo não faz referências a próximos desafios eleitorais, o que justificou argumentando que nos próximos dois anos, sem eleições à vista, o partido poderá estar "mais virado para dentro, para a consolidação e reforço das estruturas locais, preparando-se para outros desafios eleitorais".
Nuno Melo lidera o CDS-PP desde 2022, e tenta a reeleição para o terceiro mandato. É atualmente ministro da Defesa Nacional. Foi deputado, líder parlamentar, vice-presidente do parlamento e eurodeputado entre 2009 e 2024.
No partido foi líder da distrital de Braga e vice-presidente de Paulo Portas e, mais tarde, de Assunção Cristas.
O seu opositor é Nuno Correia da Silva, que se candidata à liderança do CDS-PP com a moção global "Liberdade em movimento", na qual considera que o partido precisa de se afirmar.
Em declarações à agência Lusa, o antigo deputado disse que o partido "precisa de afirmação e precisa de se fazer notar", defendendo que tem existido "uma diluição do partido" na coligação com o PSD.
Correia da Silva afirmou que não se nota que o CDS-PP "esteja a exercer influência no Governo" e apontou falta ambição.
O candidato argumentou que se as bandeiras dos centristas "estiverem salvaguardadas dentro da coligação da AD, pois deve continuar na coligação da AD", mas não deve "sacrificar as ideias para ir para a coligação".
Esta não é a primeira vez que Nuno Correia da Silva se apresenta como candidato à liderança do CDS, nem a primeira vez que os dois se confrontam. Em 2022, apresentou uma moção de estratégia global no congresso, mas acabou por não a levar a votos.
É conselheiro nacional do CDS-PP. Foi vogal da Comissão Política Nacional, vereador na Câmara de Lisboa, líder da Juventude Centrista e deputado quando Manuel Monteiro liderava o CDS-PP, tendo integrado a sua direção.
Além destas candidaturas, há também mais duas moções de estratégia global ao congresso, mas que não implicam entrar nessa corrida.
A moção que a Juventude Popular leva ao congresso defende que o CDS deve afirmar "um projeto político próprio" e concorrer sozinho a eleições legislativas.
"O CDS tornou-se politicamente menos reconhecível, excessivamente diluído no interior da coligação e, em muitos momentos, incapaz de afirmar uma voz própria junto do eleitorado", critica a estrutura liderada por Catarina Marinho.
A quarta moção ao congresso, intitulada "Um partido com futuro", é assinada por Hugo Gonçalves, vogal da comissão política que, em declarações à Lusa, indicou não ser candidato à liderança do CDS.
O antigo presidente da distrital do Porto da JP explicou que, ao apresentar esta moção, pretende dar o seu contributo para o futuro do partido, e não quer que seja vista como discórdia ou rutura com a atual direção, que integra.
Além das moções globais, o congresso vai debater ainda 10 moções setoriais sobre temas como educação, saúde, jogos de fortuna ou azar e jogos sociais, habitação, participação de pessoas com deficiência na política, floresta, revisão constitucional ou Europa.