Albuquerque insiste em reforma laboral “sem medo de rupturas”
Presidente critica sindicatos e defende adaptação à nova economia
Albuquerque criticou novamente o modelo e a duração das negociações com os sindicatos, afirmando que o processo “perdeu demasiado tempo” e deveria ter sido concluído mais cedo em sede política.
O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, reagia assim esta manhã à aprovação, em Conselho de Ministros, da proposta de revisão da lei laboral, que seguirá agora para discussão no Parlamento.
A medida foi anunciada ontem pela ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, após o Governo ter encerrado as negociações na Concertação Social sem acordo com os parceiros sociais.
Em reacção, Albuquerque considerou que o avanço legislativo confirma a necessidade de reformas estruturais no mercado de trabalho, defendendo que Portugal deve ajustar a legislação às novas formas de organização laboral.
O governante voltou a sublinhar a necessidade de uma reforma profunda da lei laboral, argumentando que o país já não vive “na época da revolução industrial” e que o enquadramento actual está desajustado face às empresas modernas, marcadas pelo teletrabalho e pela flexibilidade.
“Hoje temos empresas muito mais flexíveis, teletrabalho e novas formas de organização. A lei laboral tem de se adaptar a isso”, afirmou.
Albuquerque defendeu ainda que as reformas são essenciais para travar a saída de jovens qualificados para outros países europeus, como Dinamarca e Países Baixos.
“Precisamos de uma lei laboral adequada aos tempos que vivemos, que ajude a fixar pessoas qualificadas em Portugal”, disse.
O presidente do Governo Regional criticou também a representatividade sindical, considerando que o processo de negociação prolongado não alterou substancialmente o resultado final.
“Perderam-se nove meses em negociações com sindicatos que representam uma pequena percentagem dos trabalhadores”, referiu.
As declarações surgem no contexto do debate nacional sobre o pacote laboral, que tem gerado contestação por parte de estruturas sindicais e partidos da oposição.