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Produtora de filme sobre Bolsonaro nega ter recebido financiamento de ex-banqueiro

FOTO DR
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A produtora responsável pelo filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, negou ontem ter recebido dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção cinematográfica.

Em nota divulgada ontem, a GOUP Entertainment afirmou que "não consta um único centavo" ligado ao antigo dono do extinto Banco Master entre os valores destinados ao projeto audiovisual da produtora. 

"Não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário", informou a empresa. 

A declaração ocorreu após o portal de jornalismo investigativo The Intercept Brasil revelar áudios atribuídos a conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente brasileiro.

Segundo as gravações, o senador pediu 134 milhões de reais (23 milhões de euros) a Daniel Vorcaro para suportar as despesas do filme que aborda a ascensão política de Jair Bolsonaro.

Uma das conversas aconteceu em Novembro passado, um dia antes do então banqueiro ser preso pela polícia brasileira por fraude financeira ligada ao Banco Master.

Documentos e mensagens obtidas pelo portal indicam que pelo menos 10,6 milhões de dólares (9,6 milhõe de euros) haviam sido pagos por Vorcaro entre Fevereiro e Maio de 2025, em seis operações, para financiar o filme. 

A produtora, contudo, reiterou não ter recebido qualquer verba de Vorcaro ou de empresas das quais ele tenha sido sócio. 

Candidato a presidente do Brasil para as eleições de outubro, Flávio Bolsonaro confirmou a autenticidade das conversas divulgadas pelo portal, mas afirmou não ver qualquer irregularidade no conteúdo dos diálogos.

O senador brasileiro sustentou que não houve ilegalidade nas conversas em que chamou Vorcaro de "irmãozão" e rejeitou acusações de financiamento impróprio ligado ao projeto cinematográfico.

A esquerda brasileira e o pré-candidato à Presidência Romeu Zema, político de direita, têm aproveitado o momento de desgaste para expor as contradições de Flávio Bolsonaro, que sempre negou qualquer envolvimento com figuras do Banco Master.

A imprensa brasileira tem destacado que o valor cobrado pelo senador supera, em quase três vezes, orçamentos de filmes brasileiros que se consagraram no O Globo de Ouro, como "Ainda Estou Aqui" (2024) e o "Agente Secreto" (2026).

Segundo informou o portal "G1", a Polícia Federal do Brasil investiga se o dinheiro negociado por Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro seria para custear despesas do irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.