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Sobrevivente de Auschwitz e activista Albrecht Weinberg morre aos 101 anos

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Foto AFP

Albrecht Weinberg, sobrevivente de Auschwitz e conhecido na Alemanha nos últimos anos pelo seu ativismo em defesa da memória do Holocausto e contra a extrema-direita, morreu ontem na cidade de Leer (norte), aos 101 anos.

A informação foi confirmada à agência Efe por Philip Koenen, porta-voz da Câmara Municipal de Leer.

Nascido em 1925 numa família judia na região alemã da Frísia oriental, Weinberg foi internado num campo de trabalhos forçados aos 14 anos.

Sobreviveu dois anos em Auschwitz e foi libertado pelos britânicos em Bergen-Belsen, mas perdeu os pais e os tios no Holocausto.

À procura de romper com o passado, emigrou para Nova Iorque, onde abriu uma charcutaria, e só regressou à Alemanha em 2011 para procurar tratamento médico para a sua irmã.

Após oito décadas de silêncio sobre o que tinha sofrido, Weinberg reencontrou o sentido da vida ao começar a partilhar a sua experiência nas escolas, como relatou numa conferência de imprensa em 2025.

"Quando já não estivermos neste mundo, só será possível ler sobre isto em livros, e não será a mesma coisa. Mas se eu for às escolas e estiverem 50 ou 60 jovens à minha frente, eles vão ver que sou uma pessoa viva", explicou na altura, defendendo a importância de as testemunhas oculares contarem às novas gerações o que os seus antepassados fizeram.

"Lembro-me disso todos os dias. Todos os dias estou no campo de concentração", confessou ainda sobre a sua experiência.

Nos últimos anos, com a ascensão da extrema-direita na Alemanha, Weinberg tornou-se também uma das vozes que alertam para os riscos representados pela ascensão do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), atualmente o principal partido da oposição e líder nas sondagens.

Em 2025, o sobrevivente do Holocausto ganhou destaque ao devolver a Ordem de Mérito da República Federal da Alemanha ao Presidente alemão em protesto contra uma polémica votação parlamentar em que os democratas-cristãos do então chanceler Friedrich Merz, com o apoio do AfD, aprovaram uma moção para endurecer a política de imigração.

"Digo-lhes (aos estudantes) que não se devem deixar intimidar se o AfD estiver cheio de ódio e fizer propaganda. Devem ter cuidado para que isto não volte a acontecer", frisou Weinberg no ano passado.

Em comunicado, o Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, agradeceu ontem a Weinberg pelo seu incansável trabalho "pela liberdade e pela democracia", que contribuiu para a reconciliação da Alemanha com o seu passado.

O governante descreveu como "profundamente impressionante" a missão de Weinberg de palestrar nas escolas sobre a sua história de vida, que serviu de alerta para as gerações futuras.

"O nosso país vai sentir a falta de Albrecht Weinberg. Não o esqueceremos", apontou Steinmeier, sublinhando que o seu legado impõe à Alemanha a obrigação de agir, principalmente numa altura em que "a democracia está sob pressão e o antissemitismo continua a crescer".