Flotilha pede acção a Espanha e Brasil por activistas detidos
A organização da Flotilha Global Sumud instou hoje os governos de Espanha e do Brasil a "agir imediatamente", depois de Israel ter prorrogado por mais dois dias a detenção dos ativistas Saif Abukeshek, palestino-espanhol, e Thiago Ávila, brasileiro.
"Os participantes da Flotilha Global Sumud agiram porque o mundo não conseguiu impedir a destruição da vida palestiniana. Os governos enfrentam agora um dilema claro: respeitar o direito internacional ou continuar a ser cúmplices da sua destruição", lê-se num comunicado do coletivo ativista, citado pela agência EFE.
A Flotilha Global Sumud (GSF, na sigla em inglês) apelou aos governos de todo o mundo, mas em especial aos de Espanha e do Brasil, para que promovam a libertação dos detidos, iniciem "investigações públicas independentes" sobre a detenção destes dois ativistas em águas internacionais e imponham "sanções significativas" a Israel pelas suas "contínuas violações do direito internacional".
Da mesma forma, exigem que Israel preste contas pelo ocorrido, bem como pelo "genocídio em curso em Gaza e pela limpeza étnica na Cisjordânia".
"A decisão de hoje reflete um padrão mais alargado em que os tribunais de ocupação israelitas legitimam a detenção ilegal e a violência estatal em casos que envolvem palestinianos e os seus aliados", prossegue a GSF no seu comunicado.
E acrescenta: "Os processos baseados em provas secretas e em supostos problemas de segurança têm suscitado, há muito tempo, sérias preocupações entre os especialistas jurídicos internacionais quanto à ausência de garantias processuais e ao uso contínuo do sistema jurídico para apoiar políticas que violam o direito internacional".
Além disso, a flotilha promete intensificar as suas ações de resistência civil com acampamentos que terão início na segunda-feira em Bruxelas e se estenderão a outras cidades europeias.
A detenção de Abukeshek e Ávila foi prorrogada hoje de manhã por mais dois dias, apesar de a Procuradoria do Estado israelita ter pedido quatro dias, apresentando uma lista de supostos crimes cometidos pelos ativistas.
Entre esses presumíveis crimes figura o de "colaborar com o inimigo em tempo de guerra, contactar um agente estrangeiro, pertencer a uma organização terrorista e prestar-lhe serviços, bem como transferir bens para uma organização terrorista", informou o centro jurídico Adalah, que representa os dois ativistas, num comunicado.
O centro jurídico também contestou a decisão, afirmando que "não existe fundamento jurídico para a aplicação destes crimes a cidadãos estrangeiros em águas internacionais".
Os dois membros da flotilha, integrados numa expedição de 58 embarcações que, pelo segundo ano consecutivo, pretendia quebrar o bloqueio em Gaza e levar ajuda humanitária, chegaram na manhã de sábado a Ashkelon (cidade costeira no sul de Israel), após permanecerem mais dois dias sob custódia da Marinha israelita.
Vários coletivos de direitos humanos e o próprio Governo espanhol definiram essa manobra das autoridades israelitas como um "sequestro", por ter sido executada em águas internacionais e ainda a cerca de 1.150 quilómetros da Faixa de Gaza.
O Adalah denunciou no sábado maus-tratos físicos por parte das autoridades israelitas contra os seus representados, que iniciaram uma greve de fome enquanto permanecem na prisão de Shikma, em Ashkelon.