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Fact Check Madeira

Albuquerque já tinha admitido dividir o cortejo alegórico do Carnaval?

O presidente do Governo Regional reconheceu, nos últimos meses, que o crescimento do Carnaval da Madeira levantava problemas semelhantes aos da Festa da Flor.

Cortejo Alegórico do Carnaval 2025
Cortejo Alegórico do Carnaval 2025, foto ASPRESS

Miguel Albuquerque anunciou este domingo que o Carnaval da Madeira passará a contar com dois cortejos alegóricos em noites consecutivas. A medida, que será aplicada a partir da próxima edição, divide o desfile principal entre sábado e domingo, mantendo-se o Cortejo Trapalhão na terça-feira de Carnaval.

O anúncio foi feito durante a Madeira Flower Classic Auto Parade, no Funchal, e justificado com o aumento do número de participantes e com a duração excessiva dos desfiles, que o Governo Regional considera estarem a tornar-se demasiado longos para o público.

Segundo o presidente do Executivo regional, haverá um sorteio para definir a distribuição dos grupos pelos dois dias. A intenção, explicou, é reduzir o tempo total dos cortejos, melhorar a fluidez do espectáculo e evitar a saída antecipada de espectadores.

“Depois de três horas as pessoas vão embora”, afirmou Albuquerque, acrescentando que a experiência recente da Festa da Flor demonstrou que a divisão dos desfiles pode melhorar a organização e a permanência do público.

O governante referiu ainda que o elevado número de participantes nos 14 grupos carnavalescos tem vindo a tornar os cortejos mais extensos, criando constrangimentos operacionais e de logística.

A decisão agora anunciada representa a aplicação ao Carnaval de um modelo já testado na Festa da Flor, onde o cortejo foi igualmente dividido em dois dias.

Contudo, a ideia de que o Carnaval poderia vir a seguir o mesmo caminho não surgiu apenas agora.

A 29 de Janeiro deste ano, à margem de uma iniciativa pública relacionada com habitação em Água de Pena, no concelho de Machico, Miguel Albuquerque foi questionado pelo DIÁRIO sobre a organização dos grandes eventos turísticos da Região e sobre a eventual necessidade de ajustar o formato do Carnaval.

Na altura, o presidente do Governo Regional explicou que a divisão do cortejo da Festa da Flor resultou do crescimento do evento e da necessidade de acomodar mais participantes sem comprometer a qualidade do espectáculo.

Segundo afirmou, os desfiles tinham-se tornado demasiado longos, difíceis de gerir e com impacto negativo na experiência do público, defendendo que eventos com “três ou quatro horas” de duração acabam por se tornar “incomportáveis”.

Sobre o Carnaval, Albuquerque reconheceu então que começavam a surgir constrangimentos semelhantes, sobretudo devido ao aumento do número de participantes nas baterias e nos grupos alegóricos.

Embora tenha sublinhado que não existia qualquer decisão tomada nessa fase, admitiu que poderiam vir a ser estudadas soluções caso a tendência de crescimento se mantivesse, deixando em aberto a possibilidade de alterações futuras ao modelo do evento.

“Os desfiles não podem durar três ou quatro horas”

Albuquerque admite ajustes futuros no Carnaval, mas afasta mudanças para já

Orlando Drumond , 29 Janeiro 2026 - 12:56

As declarações agora conhecidas retomam praticamente os mesmos argumentos: duração excessiva dos cortejos, necessidade de acomodar mais participantes, preocupação com a permanência do público nas bancadas e melhoria da organização dos grandes eventos turísticos da Região.

A diferença essencial é que uma hipótese admitida em Janeiro passou, entretanto, a decisão política formal.

A mudança tem gerado reacções diversas nas redes sociais. Entre os cibernautas, há quem considere a medida positiva, sobretudo por reduzir o abandono antecipado das bancadas e melhorar a experiência do público.

“Acho bem pois este ano foi uma vergonha… as pessoas nas cadeiras a irem embora e o cortejo ainda não ia a meio”, referiu uma utilizadora.

Outros, no entanto, criticam a decisão, alertando para o risco de fragmentação dos grandes eventos e para o impacto na sua identidade tradicional.

“Não exagerem e não estraguem o Carnaval e a Festa da Flor. O que é demais farta”, lê-se num dos comentários.

Há ainda quem destaque questões logísticas, como o aumento de cortes de trânsito e a duplicação dos constrangimentos no centro do Funchal em dois dias consecutivos.

A discussão mostra que a decisão não é apenas organizativa, mas também cultural e política, colocando em debate o equilíbrio entre crescimento dos eventos, gestão do público e preservação do formato tradicional.

Albuquerque já tinha admitido dividir o cortejo alegórico do Carnaval?