Albuquerque já tinha admitido dividir o cortejo alegórico do Carnaval?
O presidente do Governo Regional reconheceu, nos últimos meses, que o crescimento do Carnaval da Madeira levantava problemas semelhantes aos da Festa da Flor.
Miguel Albuquerque anunciou este domingo que o Carnaval da Madeira passará a contar com dois cortejos alegóricos em noites consecutivas. A medida, que será aplicada a partir da próxima edição, divide o desfile principal entre sábado e domingo, mantendo-se o Cortejo Trapalhão na terça-feira de Carnaval.
O anúncio foi feito durante a Madeira Flower Classic Auto Parade, no Funchal, e justificado com o aumento do número de participantes e com a duração excessiva dos desfiles, que o Governo Regional considera estarem a tornar-se demasiado longos para o público.
Segundo o presidente do Executivo regional, haverá um sorteio para definir a distribuição dos grupos pelos dois dias. A intenção, explicou, é reduzir o tempo total dos cortejos, melhorar a fluidez do espectáculo e evitar a saída antecipada de espectadores.
“Depois de três horas as pessoas vão embora”, afirmou Albuquerque, acrescentando que a experiência recente da Festa da Flor demonstrou que a divisão dos desfiles pode melhorar a organização e a permanência do público.
Miguel Fernandes Luís , 10 Maio 2026 - 18:12
O governante referiu ainda que o elevado número de participantes nos 14 grupos carnavalescos tem vindo a tornar os cortejos mais extensos, criando constrangimentos operacionais e de logística.
A decisão agora anunciada representa a aplicação ao Carnaval de um modelo já testado na Festa da Flor, onde o cortejo foi igualmente dividido em dois dias.
Contudo, a ideia de que o Carnaval poderia vir a seguir o mesmo caminho não surgiu apenas agora.
A 29 de Janeiro deste ano, à margem de uma iniciativa pública relacionada com habitação em Água de Pena, no concelho de Machico, Miguel Albuquerque foi questionado pelo DIÁRIO sobre a organização dos grandes eventos turísticos da Região e sobre a eventual necessidade de ajustar o formato do Carnaval.
Na altura, o presidente do Governo Regional explicou que a divisão do cortejo da Festa da Flor resultou do crescimento do evento e da necessidade de acomodar mais participantes sem comprometer a qualidade do espectáculo.
Segundo afirmou, os desfiles tinham-se tornado demasiado longos, difíceis de gerir e com impacto negativo na experiência do público, defendendo que eventos com “três ou quatro horas” de duração acabam por se tornar “incomportáveis”.
Sobre o Carnaval, Albuquerque reconheceu então que começavam a surgir constrangimentos semelhantes, sobretudo devido ao aumento do número de participantes nas baterias e nos grupos alegóricos.
Embora tenha sublinhado que não existia qualquer decisão tomada nessa fase, admitiu que poderiam vir a ser estudadas soluções caso a tendência de crescimento se mantivesse, deixando em aberto a possibilidade de alterações futuras ao modelo do evento.
“Os desfiles não podem durar três ou quatro horas”
Albuquerque admite ajustes futuros no Carnaval, mas afasta mudanças para já
Orlando Drumond , 29 Janeiro 2026 - 12:56
As declarações agora conhecidas retomam praticamente os mesmos argumentos: duração excessiva dos cortejos, necessidade de acomodar mais participantes, preocupação com a permanência do público nas bancadas e melhoria da organização dos grandes eventos turísticos da Região.
A diferença essencial é que uma hipótese admitida em Janeiro passou, entretanto, a decisão política formal.
A mudança tem gerado reacções diversas nas redes sociais. Entre os cibernautas, há quem considere a medida positiva, sobretudo por reduzir o abandono antecipado das bancadas e melhorar a experiência do público.
“Acho bem pois este ano foi uma vergonha… as pessoas nas cadeiras a irem embora e o cortejo ainda não ia a meio”, referiu uma utilizadora.
Outros, no entanto, criticam a decisão, alertando para o risco de fragmentação dos grandes eventos e para o impacto na sua identidade tradicional.
“Não exagerem e não estraguem o Carnaval e a Festa da Flor. O que é demais farta”, lê-se num dos comentários.
Há ainda quem destaque questões logísticas, como o aumento de cortes de trânsito e a duplicação dos constrangimentos no centro do Funchal em dois dias consecutivos.
A discussão mostra que a decisão não é apenas organizativa, mas também cultural e política, colocando em debate o equilíbrio entre crescimento dos eventos, gestão do público e preservação do formato tradicional.