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Médicos moçambicanos removem mioma uterino de 10,5 quilogramas

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Foto shutterstock

Especialistas do Hospital Central de Nampula, norte de Moçambique, removeram um mioma uterino de 10,5 quilogramas com que Cristina Samuel, 45 anos, vivia há pelo menos sete anos, ganhando agora nova vida.

"A cirurgia foi delicada, durou cerca de três horas pelo volume da massa, que simulava uma gestação de nove meses. O mioma pesava 10,5 quilos", disse ontem a médica ginecologista obstetra Susana Cheguinhene, que liderou a equipa, numa cirurgia realizada na quarta-feira.

Cristina Samuel chegou aos serviços de urgência do Hospital Central de Nampula, transferida do Centro de Saúde de Nacaroa, com uma massa pélvica, sangramento uterino anormal e anemia severa, explicou a médica, referindo que a paciente precisou, primeiro, de transfusões de sangue para poder ser submetida à cirurgia.

"Muitas mulheres passam anos nos curandeiros [médicos tradicionais] e só aparecem quando já existem complicações graves, principalmente sangramentos", acrescentou a médica, referindo que cerca de 50% dos internamentos no HCN estão relacionados ao mioma interino, tendo sido já realizadas, só neste ano, 22 cirurgias.

Cristina Samuel já está em recuperação e poderá ter alta hospitalar em dois dias.

Susana Cheguinhene pede que as mulheres procurem assistência médica logo nos primeiros sinais de anormalidade, referindo que "quanto mais cedo o problema for descoberto, maiores são as possibilidades de evitar complicações".

"A cirurgia foi um sucesso. Do bloco operatório saiu não apenas uma paciente estabilizada, mas também um impressionante tumor de 10,5 quilogramas, prova silenciosa de uma luta longa e dolorosa", lê-se na página oficial do Facebook do HCN.

Após idas e vindas a centros de saúde e consultas em médicos tradicionais, com a barriga a confundir-se com uma gravidez, além de preconceitos, Cristina teve finalmente um diagnóstico e está livre da doença.

"O meu primeiro marido abandonou-me porque eu menstruava todos os dias e não conseguia engravidar (...). Chamavam-me mulher seca e inútil porque eu nunca tive filhos", contou hoje à Lusa a mulher, ainda internada no Hospital Central de Nampula.