A Fragilização dos Pilares da Democracia: Um Alerta para Portugal

A segurança interna e a defesa nacional são os pilares inabaláveis de qualquer Estado democrático. Em Portugal, contudo, assistimos a um cenário preocupante que exige uma reflexão profunda e, acima de tudo, coragem para agir. A crescente dificuldade no recrutamento de efetivos para as forças de segurança, sentida de forma aguda em diversas regiões do país, não é um problema isolado, mas sim um sintoma de uma fragilização sistémica que coloca em risco a própria essência da nossa liberdade e democracia.

É impossível ignorar o contraste gritante entre o passado e o presente das nossas Forças Armadas. Em 1974, o país contava com aproximadamente 250 mil efetivos; hoje, esse número ronda os 25 mil. Esta redução drástica não é apenas uma questão numérica; é uma perda de capital humano, de formação e de uma cultura de serviço à nação que, outrora, poderia ter alimentado as nossas forças de segurança com profissionais de excelência, dotados de disciplina e conhecimentos em diversas áreas. A desintegração progressiva das Forças Armadas, que são, por definição, o garante último da liberdade e da democracia, levanta questões sérias sobre a visão estratégica que tem sido adotada para o futuro do país.

Esta fragilização não parece ser um mero acaso. A tese de que forças de segurança debilitadas são, por vezes, promovidas para permitir a ação de “arruaceiros e promotores da destruição” é uma acusação grave, mas que ressoa com a perceção de uma sociedade onde a ordem pública parece, por vezes, ser secundarizada. As forças de segurança GNR, PSP, entre outras são o escudo que protege os cidadãos e a barreira que salvaguarda a democracia. Quando a sua capacidade de atuação é comprometida, seja pela falta de efetivos, pela perda de autoridade, pela ausência de incentivos monetários ou pelo risco profissional acrescido, abre-se uma perigosa brecha. Esta brecha é prontamente explorada por interesses que prosperam no divisionismo e na desintegração social, minando a confiança nas instituições e no próprio Estado de Direito.

A recente lei da perda da nacionalidade por imigrantes que comentam crimes graves e que foi rejeitada e chumbada pelo tribunal constitucional, coloca ainda mais em cheque a eficácia das nossas forças de segurança, que ao verem o risco de poderem ter de enfrentar criminosos de alto risco que utilizam o nosso país como pátio de atuação ou plataforma de integração no crime europeu vindos de outras paragens a entrarem de forma descontrolada.

Numa sociedade onde a segurança dos cidadãos está posta em causa, a manipulação e a promoção de agendas divisionistas tornam-se mais fáceis. O medo e a incerteza são terrenos férteis para a polarização e para o enfraquecimento dos laços comunitários. É neste contexto que a necessidade de uma liderança forte e visionária se torna imperativa. Precisamos de líderes que compreendam que a segurança não é um luxo, mas uma condição sine qua non para a liberdade e o progresso.

É tempo de agir com coragem. É fundamental reverter a tendência de desinvestimento nas nossas forças de segurança e nas Forças Armadas, valorizando os seus profissionais e garantindo-lhes os meios e o reconhecimento que merecem. Mais do que isso, é preciso unir os portugueses em torno de um propósito comum: o de “endireitar Portugal”. Isso implica reconstruir a confiança nas instituições, reforçar os pilares da nossa democracia e garantir que a proteção dos cidadãos seja uma prioridade inquestionável. Só assim poderemos assegurar um futuro de estabilidade, liberdade e prosperidade para todos.

A. J. Ferreira