Costa discutiu com Papa Leão XIV necessidade de "paz e estabilidade" na região
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, falou hoje ao telefone com o Papa Leão XIV, tendo saudado o seu compromisso pelos direitos humanos e discutido a necessidade de "paz e estabilidade" no Médio Oriente.
Numa mensagem divulgada nas redes sociais, António Costa afirmou ter tido a "grande honra" de falar hoje ao telefone com o Papa Leão XIV.
O presidente do Conselho Europeu referiu que, nessa conversa, felicitou Leão XIV pelo seu primeiro aniversário enquanto líder da Igreja Católica e saudou o seu compromisso "pela promoção da paz, justiça e direitos humanos em todo o mundo".
"Falámos sobre a sua recente viagem apostólica em África. Também discutimos a situação no Médio Oriente e a necessidade de se assegurar paz e estabilidade na região", indicou António Costa.
Leão XIV foi eleito em 08 de maio de 2025, sucedendo ao Papa Francisco.
Desde então, António Costa e o Papa já se reuniram uma vez, no Vaticano, em junho de 2025, tendo o presidente do Conselho Europeu indicado na altura que ambos tinham discutido formas de "alcançar a paz na Ucrânia, em Gaza e noutras partes do mundo".
"Leão XIV é o Papa da paz --- da paz real. É uma honra conhecer o pontífice no início do seu pontificado. Hoje tivemos um debate muito inspirador sobre a melhor forma de alcançar a paz, nomeadamente na Ucrânia, em Gaza e noutras partes do mundo", escreveu na altura o líder do Conselho Europeu na sua conta oficial na rede social X.
Na mesma publicação, Costa defendeu que Bruxelas e o Vaticano devem "continuar a abordar questões globais como as alterações climáticas, a redução das desigualdades e a dignidade do trabalho".
"É com expectativa que espero que a União Europeia e a Santa Sé trabalhem juntas pelo bem comum", concluiu na mesma ocasião António Costa na sua publicação, acompanhada de fotos da audiência no Vaticano.
No seu primeiro ano de pontificado, quase a completar-se, Leão XIV tem denunciado alguns riscos da política mundial, embora sempre em tom cauteloso.
Lamentou, por exemplo, guerras como a do Irão e instou a que "se salvaguardasse a soberania" da Venezuela, após a captura do líder Nicolás Maduro numa operação militar norte-americana em Caracas, a 03 de janeiro deste ano.
Comentários recentes sobre a guerra no Irão -- designadamente o facto de ter considerado inaceitável a ameaça de Donald Trump de que "uma civilização inteira" iria desaparecer se Teerão não chegasse a um acordo com Washington -- levaram a críticas diretas do Presidente dos Estados Unidos, que acusou o pontífice de querer que os iranianos obtenham a bomba nuclear.
"O Papa Leão é fraco em relação ao crime e péssimo em política externa", escreveu Trump em 13 de abril na rede Truth Social, da qual é proprietário, numa longa mensagem em que instou o líder religioso a "concentrar-se em ser um grande Papa, não um político", porque "está a prejudicar a Igreja Católica".
Em resposta a este comentário, Leão XIV disse não temer a administração Trump e referiu que "o evangelho é claro" e "a Igreja tem a obrigação moral de ser contra a guerra".
"O que eu digo não deve ser entendido como um ataque por ninguém. A mensagem do evangelho é muito clara: Bem-aventurados os que constroem a paz", afirmou Leão XIV, o primeiro Papa norte-americano.