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Leão XIV despede-se com banho de multidão e segue para Malabo

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O Papa Leão XIV deixou hoje Angola às 09:19, em direção a Malabo, última etapa do seu périplo africano, após mais um banho de multidão na despedida, marcada por saudações e manifestações de fé efusivas.

Antes da chegada ao Aeroporto Internacional 4 de fevereiro, o Papa surgiu ainda à janela da Nunciatura Apostólica, onde esteve hospedado durante a visita, e manteve esta manhã encontros privados com personalidades e religiosos, para acenar pela última vez aos fiéis.

No exterior, centenas de pessoas enchiam a rua em busca de uma última bênção, que ainda foi concedida a dois bebés e a uma mulher.

Leão XIV saiu cerca das 08:35, seguindo em marcha lenta em direção ao aeroporto, ao longo de um percurso ladeado por um cordão humano de fiéis, protegido por milhares de escuteiros, entre gritos entusiasmados e saudações demonstrativas do carinho com que o Papa foi recebido em Angola.

Desde as primeiras horas da manhã, milhares de católicos concentraram-se para um adeus final no aeroporto, onde o Presidente angolano, João Lourenço, marcou também presença, acompanhado pela primeira-dama, Ana Dias Lourenço, para as despedidas com honras de Estado.

Destacou-se também no aeroporto, como em todos os momentos da visita papal, a presença feminina em massa, num ambiente festivo marcado pelos trajes e lenços coloridos característicos das "mamãs" angolanas.

Durante a sua passagem por Angola, o Papa não se dirigiu especificamente às mulheres, mas centrou as suas mensagens nos jovens, incentivando-os a construir um mundo melhor, encorajou a ouvir os mais velhos e a não ceder ao medo. Criticou também a lógica extrativista e a corrupção, alertou para a injustiça social e as superstições, e defendeu o diálogo, a paz e a reconciliação.

Leão XIV chegou no sábado a Angola, tendo sido recebido pelo chefe de Estado no Palácio Presidencial, e participado num encontro com membros do executivo, corpo diplomático, líderes partidários e religiosos e representantes da sociedade civil.

Os primeiros contactos com a população ocorreram no domingo, no Kilamba, na periferia de Luanda, onde celebrou missa, antes de seguir para o santuário de Nossa Senhora da Muxima, um dos principais centros de peregrinação católica em África, dedicado ao culto mariano e cujo nome significa "coração" em kimbundu.

Leão XIV deslocou-se também a Saurimo, na província da Lunda Sul, tornando-se o primeiro Papa a visitar o leste de Angola, regressando depois a Luanda para um encontro com os bispos.

Após três dias em Angola, o Papa segue agora para a Guiné Equatorial, onde deverá abordar temas como o pluralismo político e as liberdades cívicas. A chegada a Malabo está prevista para o final da manhã (hora local).

Nesta última etapa, Leão XIV segue os passos de João Paulo II, que visitou o país há 44 anos. A Guiné Equatorial, com cerca de dois milhões de habitantes, maioritariamente católicos, é governada desde 1979 por Teodoro Obiang Nguema, um dos líderes há mais tempo no poder no mundo.

Apesar das receitas petrolíferas, grande parte da população vive em condições de pobreza, e o país tem sido alvo de críticas internacionais por corrupção e restrições às liberdades civis.

A visita pastoral a África, iniciada em 13 de abril e que passou também pela Argélia e pelos Camarões, tem sido marcada por um tom assertivo do Papa, com insistentes apelos à justiça social, ao combate à corrupção e ao respeito pelos direitos humanos.

O programa encerra na quinta-feira, com uma missa no estádio de Malabo, no final de uma viagem de cerca de 18 mil quilómetros pelo continente africano.