Papa Leão XIV apela ao aumento dos "espaços de liberdade" na Guiné Equatorial
O Papa Leão XIV apelou hoje "para que aumentem os espaços de liberdade" na Guiné Equatorial, durante uma missa na cidade guineense de Mongomo, chamando a atenção para as violações dos direitos humanos denunciadas por ativistas.
"De que é que este país tem fome hoje? Há fome de futuro, mas de um futuro habitado pela esperança, que possa gerar uma nova justiça, dar frutos de paz e fraternidade", disse o Papa, na basílica da Imaculada Conceição, perante cerca de 100 mil pessoas, entre as quais o Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang.
No seu segundo dia de visita ao país, última etapa da viagem por África, deslocou-se a Mongomo, a cidade natal de Obiang e que fica na região oriental, e exortou a que se "trabalhe ao serviço do bem comum e não de interesses particulares" para superar as desigualdades.
"Que cresçam os espaços de liberdade e que a dignidade da pessoa humana seja sempre salvaguardada. Penso nos mais pobres, nas famílias em dificuldade, nos reclusos, muitas vezes obrigados a viver em condições preocupantes de higiene e saúde", afirmou.
Leão XIV saudou a multidão e abençoou a pedra angular de uma futura catedral a ser construída na nova capital do país, Cidade da Paz.
"O futuro da Guiné Equatorial depende das decisões que vocês tomam, está confiado ao vosso sentido de responsabilidade e ao compromisso partilhado de zelar pela vida e pela dignidade de cada pessoa", declarou.
Durante a tarde, o Papa vai deslocar-se a Bata, a cidade mais populosa do país, para visitar uma prisão, dando continuidade à tradição do Papa Francisco, que fez destas visitas uma prioridade do seu pontificado.
Leão XIV também vai rezar num memorial dedicado às vítimas de uma explosão ocorrida em 2021 nos quartéis militares da cidade, atribuída a negligência.
A Guiné Equatorial é uma das várias nações africanas que receberam milhões de dólares no âmbito de acordos controversos com a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, para acolher migrantes deportados dos Estados Unidos para países que não o seu.
Pelo menos 29 migrantes, sem qualquer ligação ao país, foram deportados para a Guiné Equatorial, sendo que alguns permanecem detidos em Malabo com restrições ao apoio jurídico e médico, enquanto outros foram repatriados à força para os seus países, onde enfrentam perseguição.
Leão XVI criticou a política geral de deportação de migrantes da administração norte-americana como "extremamente desrespeitosa".
Pelo menos 70 organizações de direitos humanos publicaram uma carta aberta ao pontífice, exortando-o a pronunciar-se especialmente sobre a deportação de migrantes dos EUA para o país lusófono e a encorajar as nações africanas a não serem cúmplices destes acordos.
Na véspera da chegada de Leão XIV, o Governo guineense libertou cerca de 100 pessoas que tinham sido detidas numa repressão à violência de rua em 2022, segundo um advogado local.