DNOTICIAS.PT
Madeira

Investigadores madeirenses participam no Fórum Portugal Nação Global

None
Foto DR

Dois investigadores madeirenses, Bernardo de Vasconcelos e Isabel Gouveia, participam na primeira edição do 'Portugal Nação Global', que está a decorrer no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Bernardo de Vasconcelos, e o outro é a investigadora Isabel Gouveia, doutoranda em Estudo Globais pela Universidade Aberta.

Ao DIÁRIO, Isabel Gouveia,  doutoranda em Estudo Globais pela Universidade Aberta, fala do enriquecimento em participar neste fórum e destaca que o painel 'Lusofonia: a Diáspora como acelerador da Internacionalização' lhe despertou muito interesse, uma vez que a análise da diáspora lusófona contribuiu de forma significativa para a compreensão das diversas formas da globalização.

A experiência da diáspora portuguesa no Mundo evidencia-se nos mais diversos domínios, nomeadamente, a nível económico, a nível linguístico, ao nível cultural e ainda em termos simbólicos, no que se refere à persistência em manter a tradição ancestral portuguesa em qualquer canto do Mundo, através das associações culturais e recreativas e dos grupos de folclore.

A investigadora madeirense nota que a língua portuguesa constitui um importante veículo da memória lusa que permite a circulação de ideias, bens culturais e práticas sociais que se inscrevem nas dinâmicas contemporâneas dos Estudos Globais.

Deste modo, defende, a relação entre a Lusofonia, a Diáspora e os Estudos Globais permite entender como os processos migratórios que subentendem identidades partilhadas levam à criação de novas territorialidades, com base na cooperação e na diversidade cultural.

Já o professor da Universidade da Madeira e investigador, Bernardo de Vasconcelos, por sua vez, reforça, ao DIÁRIO, que este fórum se afigura como um importantíssimo 'locus' para ser dado mais um passo no sentido da convergência entre Portugal país e a sua representação pelo Mundo através da sua diáspora.

No seu entender, sendo primordialmente entendido como direccionado para a área económica, no sentido de permitir aos empresários portugueses pelo mundo investir em Portugal e aos residentes investir no estrangeiro, numa estratégia de aproximação e crescimento, o Fórum Portugal Nação Global será muito mais que isso, pelas possibilidades de networking que proporciona e pela transversalidade dos seus painéis.

Particularmente no que toca ao painel 'A Diáspora Científica', que conta com cientistas portugueses na Europa e na América do Norte, Bernardo de Vasconcelos aponta que o mesmo deixou bem vincado o contributo económico, muitas das vezes não quantificável, que os cientistas portugueses da diáspora dão ao seu país.

Através de associações criadas, à custa de trabalho voluntário, nos vários países, algumas delas já em rede entre si, compostas de investigadores, sejam eles integrantes da emigração portuguesa qualificada recente, sejam lusodescendentes nesses países, estes têm ali uma dupla valência, conforme enfatiza o docente da Universidade da Madeira. Por um lado, no desenvolvimento e promoção da sua área de saber e, por outro, no papel que têm junto da comunidade portuguesa no país onde residem.

A título de exemplo, e não falando concretamente de nenhuma associação de cientistas portugueses no exterior, refere a ‘Native Scientists’, uma organização pan-europeia sem fins lucrativos que também tem um papel fundamental no empoderamento de crianças portuguesas ou descendentes através das visitas de cientistas portugueses às suas escolas. Por isso, defende que estas acções atingem um duplo objectivo: ensinam ciência e, ao mesmo tempo, orgulho em ser-se de origem portuguesa.

Conforme reforça o investigador, o painel reforçou o sentir de que a diáspora científica não deve ser vista como um recurso, mas como um activo estratégico e parceiro. "Os cientistas portugueses têm vontade de contribuir para o seu país, independentemente de o fazerem à distância, sendo que o desejam fazer de forma estruturada em vez de através de actividades pontuais", resume, notando que "mais do que envolver a diáspora, é preciso activá-la".

O segundo dia de trabalhos trará outras abordagens e novas possibilidades de ver a diáspora como parte integrante e de pleno direito de Portugal como Nação Global.