Francisco Martins Rodrigues

Desapareceu-nos em 22.04.2008, o destemido combatente comunista e anti-fascista, Francisco Martins Rodrigues.

Não me debruçarei sobre a consideração a nível mundial, por estar conotado como uma referência maior do marxismo-leninismo. Quero, isso sim, prestar-lhe a minha modesta homenagem como: Revolucionário; de tenaz persistência; futurista; íntegro; inteligente; elegante; Radical e meu Amigo - de verdade! Homem de ideologia consistente e consequente, sem complacências, ao serviço da classe operária, dos camponeses pobres, dos pescadores e demais trabalhadores explorados.

Registo a derradeira ocasião onde estive na sua presença, com a sua dedicada, cuidadora e extremosa companheira, Ana Barradas, a seu lado. Estava muito periclitante de saúde: “Estou muito doente!”, disse-me, Francisco Martins Rodrigues, o ‘Xico’, como carinhosamente o tratávamos. “Então?”, respondi atónito. “Tou por pouco...”. Já emocionado: “Óh ‘Xico’, não percebo! Diagnosticaram-me uma trapalhada na cabeça...está para 2 meses!”. Gaguejei: “Onde está a sua coragem? A vontade férrea de servir o seu nobre ideal?”. Sereno: “Amigo (tratava-me assim, fazia tempo e, valia-me mais que um saco de dinheiro!), a cabeça também se gasta....Tivemos um projecto jornalístico, que abortou... Uma erosão enorme”, [para o seu cérebro]. Pressuponho.

Nesse mesmo dia levei-lhe uma peça jornalística, ‘O mau estado do Estado’. Li-lha. Gostou e disse: “Vou dar-lhe destaque”. Como director, da saudosa, revista - 'Política Operária', publicou numa página par ao lado doutra com um seu extenso artigo de opinião. Jamais esquecerei essa deferência. Não fazia fretes.

Muito há, ainda a dizer, escrever e debater sobre o pensamento crítico de Francisco Martins Rodrigues, seu jornalismo na imprensa revolucionária e nos livros, mananciais de conhecimento, que nos deixou à disposição.

É importante referir uma personagem de monta ligada à luta de vanguarda do ‘Xico’ - a sua companheira de largos anos, também de vanguarda, a camarada, Ana Barradas, que desenvolve um trabalho extraordinário de investigação, pesquisa e divulgação da imensidade escrita, que o ‘Xico’ nos legou. Conquistaram-se bem - Notáveis!

O Francisco Martins Rodrigues, com este vanguardismo: de dimensão moral, teórico, de escrita e militância ao serviço da classe operária, dos camponeses pobres, dos pescadores e demais trabalhadores explorados, foi um expoente, que ‘não’ morreu! Deixou quantitativa e qualitativa obra e, também por tal, viverá eternamente nos nossos corações!

Viva a Classe Operária!

Vítor Colaço Santos