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Roma ignora aniversário da morte de Francisco com o Papa ausente em África

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Foto Arquivo

As imagens de Francisco deixaram de estar em destaque nas lojas junto ao Vaticano e muitos turistas ignoram que, há um ano exato, morria o Papa, com a Praça de São Pedro cheia de fiéis em oração.

"Só soubemos que passava um ano porque fui à basílica e ouvimos que a Santa Missa era em homenagem a Francisco", diz Liliana, que, juntamente com Samuel e Claudia, veio de Mondim e Celorico de Basto para um passeio na capital italiana.

A poucos metros, na loja Capratti, junto à basílica, o funcionário Pietro sorri quando a Lusa lhe pergunta sobre as vendas de imagens de Francisco.

"Isto é Roma: Papa morto, novo Papa. E quase não se vende nada de Francisco. De João Paulo II ainda saem algumas coisas, mas o que vende é Leão".

Por todo o lado, as imagens em terços, pagelas ou calendários de Leão XIV, agora a terminar uma viagem de vários dias a África, são sucesso de vendas nas lojas de artigos religiosos.

"Mas João Paulo II ainda vende bem. Até há um calendário de 2027 com a imagem dele. Agora de Francisco, já não sei se vão fazer", acrescenta o funcionário, que guarda uma imagem "muito positiva" do jesuíta que veio da Argentina para liderar a Igreja Católica.

"Ele foi diferente de tudo o que já conheci. E trouxe gente muito diferente. Via turistas a rezar", recorda. 

O napolitano Fabrizio, 22 anos, era um dos turistas na Praça de São Pedro que desconhecia que hoje era a data da morte de Francisco. 

"A sério? Não sabia. Ele era muito simpático e gostava de todos", responde à Lusa, ao mesmo tempo que elogia o seu sucessor. 

"Ouviu o que o Papa Leão disse do Trump? É preciso ter coragem", comenta o jovem, abordando o discurso de Leão XIV sobre a tirania que o presidente dos EUA interpretou como sendo dirigido a si próprio. 

Mais afastado, o norte-americano James Hill tentava tirar uma 'selfie' com a família, que veio de Atlanta, um dos estados do sul onde a polarização é mais evidente. 

"Aquilo que se passou foi uma vergonha. Mas só há um idiota naquela conversa", comentou. "Qual?" - pergunta a Lusa. "Sou democrata e católico, o que é que acha?", responde sorrindo.

Sobre as consequências eleitorais do discurso de Trump contra Leão XIV, nascido na norte-americana Chicago como Robert Prevost, James Hill diz que não faz prognósticos. 

"Para isso fale com a minha mulher, que é republicana. Somos uma família democrática. Ela é que pode dizer se isto o vai prejudicar ou não", explica. 

Mas Maureen sorri e prefere não comentar. "É melhor ficar calada", sussurra. 

Numa Praça cheia de turistas, as irmãs polacas Agnesca e Verónica, da Congregação de Santa Teresa do Menino Jesus, rezam o terço pela memória de Francisco. 

"Foram dias muito difíceis. Ele sofreu muito, sofreu por nós", diz Agnesca, que recorda Francisco como "um santo da Igreja" que ajudou a "converter muita gente". 

Já Verónica, que esteve com Francisco dias antes da sua morte, preferiu salientar a importância do seu sucessor. 

"Leão é mesmo um leão na defesa da paz. Se Francisco se focou nos pobres, Leão é um leão a defender a paz no mundo", sublinhou. 

Alheios a todas estas interpretações, Samuel, Cláudia e Liliana prometem voltar dos Bastos a Roma em breve. 

"Isto é incrível, muito bonito, muito organizado. Tenho de voltar", diz Samuel. 

E Liliana sai de Roma impressionada com a basílica de São Pedro, onde sentiu "uma energia especial, apesar do capitalismo que também se sente".

Roma é, no seu entender, "um jogo entre o dinheiro e a fé".

"Ainda há locais onde se sente Deus. Senti aqui", acrescenta a turista, que se comporta como peregrina na missa evocativa do ano da morte de Francisco.