Liliana Rodrigues avisa Bruxelas e critica salários em Portugal
A antiga eurodeputada socialista, Liliana Rodrigues deixou um aviso sobre o futuro dos fundos europeus, defendendo que a política de coesão não pode ser sacrificada num momento em que cresce a pressão para reforçar investimento em defesa e segurança.
“Os deputados europeus têm um papel fundamental em não permitir que o dinheiro da política de coesão seja desviado”, afirmou a ex-eurodeputada, à margem da conferência sobre os 40 anos da integração europeia, na Ponta do Sol.
Sem dramatizar, afastou um corte imediato, mas admitiu mudanças. “Não me parece que os fundos vão escassear de forma evidente”, disse, apontando o reforço do investimento no Leste europeu como sinal de redistribuição de prioridades.
No essencial, insistiu no peso dos apoios comunitários. “Praticamente tudo está ligado ao investimento europeu”, afirmou, referindo que o investimento público “ronda 70% ou mais com dinheiro europeu”, embora sublinhando que o financiamento nas regiões ultraperiféricas é de 85%.
Mas foi na leitura interna que deixou o tom mais crítico. A saída de jovens qualificados, disse, não pode ser atribuída à União Europeia. “Não podemos ter pessoas com mestrado e doutoramento a ganhar o salário mínimo”, afirmou, apontando directamente a falta de políticas públicas.
A ex-eurodeputada defendeu ainda uma Europa mais afirmativa no plano internacional e não poupou palavras sobre o Médio Oriente. “O que está a acontecer é uma vergonha para o mundo inteiro”, disse.
Já no plano local, deixou uma nota sobre a Marina do Lugar de Baixo, questionando a sua utilidade. “Pergunto-me porque é que não é desmantelada de uma vez por todas e devolvida à população”, afirmou.