Índia e Paquistão trocam advertências militares um ano após conflito
Índia e Paquistão trocaram hoje acusações e advertências em matéria de defesa, um ano depois do ataque que provocou a morte de 26 turistas na Caxemira indiana e que geraram um conflito armado entre as potências nucleares.
"A Índia deve ter em conta que qualquer imprudência, seja ela de que tipo for, receberá uma resposta firme, decisiva e rápida. O Governo do Paquistão tomará todas as medidas possíveis para a defesa do país", afirmou numa conferência de imprensa o ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar.
Tarar disse que a Índia ainda não apresentou provas sobre as alegações de que Islamabad era responsável pelo ataque, que classificou de propaganda e de uma suposta "operação de falsa bandeira" que levou as duas nações à sua pior escalada bélica em décadas.
O ministro paquistanês insistiu que o Governo ofereceu-se para conduzir uma investigação imparcial para esclarecer o ataque contra civis que, segundo os meios de comunicação social indianos, foi reivindicado pela Frente de Resistência (TRF).
Embora a TRF tenha reivindicado a autoria do ataque de 22 de abril, depois retratou-se, negando a participação na operação.
"Além disso, sem provas, sem investigação e sem um inquérito adequado, o Paquistão foi imediatamente culpado", afirmou Attaullah Tarar.
Por sua vez, o ministro da Defesa da Índia, Rajnath Singh, afirmou a partir da Alemanha que o país manterá uma resposta contundente perante qualquer tentativa de desestabilização.
"A Índia nunca atacou nenhum país do mundo a partir do seu próprio território, mas se um vizinho tentar criar problemas (...). Todos os vizinhos são bons, apenas um é problemático", disse o ministro indiano sem nomear diretamente o Paquistão.
O ministro da Defesa referiu-se ainda à "Operação Sindoor", a resposta militar lançada em maio de 2025 na sequência do atentado, sublinhando que a estratégia de segurança mantém-se inalterada.
"Perante os atos contra a Índia, a resposta está garantida. Será feita justiça. Sempre", escreveu, por sua vez, o Exército indiano num comunicado publicado na rede social X, acompanhado de uma imagem dos alegados resultados da operação militar contra o Paquistão.
O incidente do ano passado gerou uma guerra de quatro dias e derivou numa crise que incluiu a suspensão unilateral do Tratado das Águas do Indo, o encerramento da fronteira comercial e combates aéreos entre as duas potências nucleares, até ao anúncio de um cessar-fogo definitivo a 10 de maio.
Os espaços aéreos dos dois países permanecem fechados ao tráfego mútuo um ano após o ataque e a fronteira terrestre mantém-se sob restrições comerciais rigorosas.
O ataque de abril de 2025 foi atribuído posteriormente a três membros do grupo terrorista Lashkar-e-Tayyiba com bases no Paquistão.
Os três homens paquistaneses foram mortos em junho pelas forças indianas.
O ataque provocou a morte de 26 turistas: 25 cidadãos indianos e de um cidadão nepalês.