Teerão nega acordo sugerido por Trump sobre entrega de urânio enriquecido
O Irão negou hoje ter concordado com a transferência dos seus 'stocks' de urânio enriquecido, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter sugerido o contrário, ao abordar este tema central nas divergências entre os dois países.
"O urânio enriquecido do Irão não será transferido para lado nenhum. Tal como o solo iraniano é sagrado para nós, esta questão é de grande importância", declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghai, citado pela televisão estatal.
Anteriormente, Donald Trump tinha afirmado na sua rede social Truth Social que "os Estados Unidos ficarão com toda a 'poeira' nuclear criada pelos magníficos bombardeiros B2", referindo-se ao urânio iraniano que foi visado pela aviação norte-americana em junho do ano passado.
O líder norte-americano publicou hoje uma série de mensagens na sua rede social sobre o atual conflito com a República Islâmica, desencadeado em conjunto com Israel em 28 de fevereiro, além de ter prestado declarações à agência France-Presse (AFP) a indicar que já "não há pontos de atrito" para um entendimento com Teerão, que acredita estar muito próximo.
"Os iranianos querem reunir-se. Querem chegar a um acordo. Penso que provavelmente haverá uma reunião este fim de semana. Penso que chegaremos a um acordo dentro de um ou dois dias", acrescentou noutra conversa com o jornal digital norte-americano Axios.
Na sua sequência de 'posts', o líder da Casa Branca disse também que o Irão aceitou "nunca mais fechar o Estreito de Ormuz", após o chefe da diplomacia de Teerão ter hoje anunciado a reabertura da rota marítima, saudada por Trump como "um dia grandioso para o mundo".
O político republicano disse porém que os Estados Unidos vão manter o seu bloqueio naval aos portos iranianos até que as negociações de paz "estejam 100% concluídas".
Em reação, as agências de notícias Fars e Tasnim, próximas da Guarda Revolucionária iraniana, indicaram posteriormente que Ormuz voltará a ser encerrado se o bloqueio naval dos Estados Unidos prosseguir.
O anúncio da reabertura do estreito estratégico, por onde passavam 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, ocorreu no seguimento do cessar-fogo de dez dias no conflito no Líbano, que entrou em vigor na última madrugada.
Esta trégua era uma das condições exigidas pelo Irão para prosseguir negociações de paz, no seguimento do cessar-fogo de duas semanas com os Estados Unidos para o conflito no Golfo e implementado desde 08 de abril.
Delegações de Washington e Teerão reuniram-se no passado fim de semana sob mediação do Paquistão em Islamabad, mas o diálogo terminou sem entendimento e levou ao anúncio do bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos.
A interrupção da navegação comercial, como retaliação do Irão aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, causou incerteza nos mercados, fez disparar o preço do crude e afetou a economia global, além de contribuir para a desestabilização do Médio Oriente, incluindo o recomeço da guerra entre Israel e o Hezbollah.
O anúncio da reabertura do estreito foi recebido com uma queda de 10% nos preços do petróleo e uma recuperação nos mercados bolsistas europeus, após cinco semanas de uma guerra devastadora para a economia global.