Preservação de aves na Madeira em destaque em Évora
O maior encontro nacional dedicado ao Programa LIFE, este ano pela primeira vez com dimensão ibérica, decorre entre 24 e 25 de Março
O Programa LIFE, que "tem sido um dos principais motores da conservação da natureza na Região Autónoma da Madeira ao longo das últimas três décadas, com impactos visíveis na proteção de espécies, recuperação de habitats e desenvolvimento sustentável da região", vai estar em destaque num evento nacional na Universidade de Évora, a partir de amanhã e quarta-feira, 24 e 25 de Março, iniciativa essa que pela primeira vez terá um cariz ibérico.
Recorde-se que "desde 1994, o arquipélago beneficiou de mais de 14 milhões de euros em financiamento europeu, distribuídos por cerca de 21 projetos, consolidando o papel deste instrumento na valorização do património natural madeirense", sendo que "entre as entidades com maior contributo destaca-se a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA BirdLife), que participou em sete projetos LIFE na região, incluindo a coordenação do LIFE Natura@night e do LIFE Fura-bardos. Estas iniciativas permitiram proteger espécies emblemáticas como a freira-da-madeira e a freira-do-bugio, restaurar habitats prioritários da Rede Natura 2000, reforçar o turismo de natureza, promover a educação ambiental e gerar emprego qualificado, com benefícios diretos para a economia local", informa uma nota a dar conta deste projecto.
O Programa LIFE tem sido absolutamente fundamental para a conservação da natureza na Madeira. Graças a este instrumento europeu, foi possível desenvolver projetos inovadores que protegeram espécies emblemáticas do arquipélago, restauraram habitats prioritários e criaram conhecimento científico essencial para orientar políticas públicas. Cátia Gouveia, coordenadora da SPEA Madeira
De acordo com a nota, é este trabalho que "estará em destaque na sessão de encerramento do LIFE CAP PT II, integrada na 5.ª edição do INTERLIFE PT, que decorre nos dias 24 e 25 de Março de 2026, na Universidade de Évora. Considerado o maior encontro nacional dedicado ao Programa LIFE, o evento assume este ano uma dimensão ibérica, ao contar, pela primeira vez, com a participação de projetos e entidades de Espanha. A presença da SPEA surge como uma oportunidade para dar visibilidade ao contributo da Madeira e reforçar a importância da continuidade do financiamento europeu para a conservação da natureza", justifica.
Aliás, "durante o encontro será apresentado o balanço do projeto LIFE Natura@night, iniciado em 2021 e desenvolvido na Madeira, Açores e Canárias, com foco na redução dos impactos da poluição luminosa na Macaronésia", que tem sido amplamente divulgado. "Através da colaboração entre cientistas, autarquias e comunidades locais, o projeto já permitiu a implementação de planos diretores de iluminação em vários municípios, contribuindo para reduzir a poluição luminosa, diminuir o consumo energético e proteger espécies noturnas sensíveis à luz artificial", recorda.
"Estamos a demonstrar que é possível conciliar segurança, eficiência energética e proteção da biodiversidade", sublinha Cátia Gouveia, citada na nota. "As soluções testadas no âmbito do LIFE Natura@night podem servir de modelo para muitas outras regiões".
Assim, "num momento em que se discutem as prioridades futuras do financiamento europeu, os responsáveis sublinham a necessidade de garantir a continuidade do Programa LIFE", frisando ainda Cátia Gouveia que "se queremos continuar a proteger o património natural único da Madeira, precisamos de instrumentos como o Programa LIFE. Os resultados alcançados mostram claramente que este investimento gera benefícios ambientais, sociais e económicos duradouros".
Refira-se que ainda que a sessão de encerramento do LIFE CAP PT II, coordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente, "marca o culminar de um projeto dedicado a reforçar a capacidade das entidades nacionais para participar no Programa LIFE e desenvolver novas candidaturas, sendo também um espaço de encontro e partilha que pretende impulsionar novas parcerias e projetos em Portugal e na Península Ibérica", conclui.