Outra primavera
Indaguei uma andorinha
O porquê da primavera
Não ter o verde que tinha
Não ser aquilo que era
Ar puro como outrora
Respirá-lo, quem mo dera
E o seu voar baixinho
Resvalando, ali ao lado
Rente às pedras do caminho
Porque teria acabado
E a feitura do seu ninho
No beiral do telhado
Rodopiando respondeu
No seu modo de grinfar
Eu voo perto do céu
Para mais longe ficar
Da funesta poluição
No mundo a se alastrar
Foi o homem que ofuscou
O verde de outra era
E se autocondenou
Com uma pena severa
Só um milagre o fará
Ter igual primavera
Falam mais alto os cifrões
Para os donos do poder
Entre cimeiras e reuniões
Falta a força do querer
Para chegar a um consenso
E o milagre acontecer
José Miguel Alves