Chega perde todos os vereadores no Funchal
Luís Filipe Santos acompanha decisão de Jorge Afonso Freitas e também cessa de imediato a sua militância no partido
O Chega deixou de ter qualquer vereador na Câmara Municipal do Funchal, a capital e maior autarquia da Região Autónoma da Madeira. A saída foi consumada, há instantes, com o anúncio de Luís Filipe Santos, feito horas depois de o DIÁRIO noticiar, na manchete da sua edição impressa, a decisão de Jorge Afonso Freitas de abandonar o partido.
Em declarações ao DIÁRIO, o vereador justificou a sua saída com a inexistência de condições para continuar no projecto partidário regional. "Deixaram de existir condições políticas, éticas e estratégicas para continuar integrado no actual projecto do Chega na Madeira", disse, sublinhando que "não se trata de divergências pontuais", mas sim de "uma degradação do ambiente político interno e da ausência de estabilidade".
Chega perde vereador
Conheça os destaques desta quarta-feira em mais uma edição do DIÁRIO
"Quando a estrutura partidária deixa de criar condições para servir a população e passa a ser um factor de bloqueio, a única atitude coerente é agir. Concordo com o Jorge porque não podemos compactuar com práticas, decisões e orientações que consideramos prejudiciais ao trabalho autárquico e à credibilidade institucional", justificou.
Já falei hoje com o senhor presidente da Câmara Municipal do Funchal e seguirei também o caminho do Jorge, porque efectivamente não existem condições. O problema reside na estrutura regional do Chega na Madeira. Infelizmente, não está preparada nem actualizada para as exigências da política, nem para exercer uma acção de forma credível e digna. Luís Filipe Santos, vereador do Funchal
Entre os motivos apontados está a polémica relacionada com a escolha de uma assessora pela estrutura regional do partido. "Foi um dos factores, não posso dizer que não foi", referiu, acrescentando também o facto da Madeira não ter sido representada numa convenção autárquica nacional do partido. "Todo o país esteve representado, menos a Região. A informação foi-nos literalmente ocultada", afirmou.
"São situações como esta que fazem com que, na Madeira, o Chega não seja, na minha opinião, um partido viável. Infelizmente, tornou-se um partido que serve apenas três ou quatro pessoas", frisou, acrescentando que, no seu entender, os militantes na Região devem "reflectir profundamente e questionar se vale a pena manter esta liderança" de Miguel Castro.
Nunca me poderei arrepender do trabalho excepcional que eu e a minha equipa desenvolvemos. Mas, a verdade é que o Chega Madeira foi, para mim, uma surpresa profundamente desagradável. Uma desilusão Luís Filipe Santos, vereador do Funchal
Apesar da ruptura com o partido, Luís Filipe Santos assegurou que vai continuar a exercer o mandato e a apresentar propostas em reunião de Câmara. "Vamos continuar a trabalhar pela cidade e pelos funchalenses, como sempre fizemos”, garantiu.