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Seis estados elegem pela primeira vez representantes transgénero para cargos públicos

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Foto TIAGO PETINGA/LUSA

Nas eleições intercalares foi alcançado um marco histórico em termos de representatividade em cargos públicos nos Estados Unidos, com a eleição, pela primeira vez, de candidatos transgénero em seis estados do país, segundo as projeções reveladas hoje.

Florida, Alabama, Geórgia, Wisconsin, Michigan e Washington são os estados norte-americanos que segundo as projeções divulgadas pelos meios de comunicação vão eleger pessoas transgénero.

As vitórias na Florida, Geórgia e Alabama são ainda mais notáveis tendo em conta o histórico conservador desses estados do sul profundo dos Estados Unidos.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, que prometeu durante a sua campanha em 2024 acabar com o que classifica como o "delírio transgénero", assinou, logo no dia da sua tomada de posse, um decreto estabelecendo que a sua administração passaria a reconhecer a existência de apenas "dois sexos, masculino e feminino", definidos à nascença.

Na Geórgia, Bentley Hudgins, que se identifica como uma pessoa não binária dentro do espetro transgénero, conquistou para os democratas o distrito 90 da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso) estadual, após ter vencido, com 92,5% dos votos, a republicana Samantha Boston.

Com um historial como defensora dos direitos humanos, entre as prioridades da democrata destaca-se a vontade de travar os "ataques" de Trump, e dos republicanos contra os residentes do seu estado.

Outra democrata, Allison Montgomery, conquistou no Alabama o lugar do 25.º distrito estadual, derrotando o republicano Phillip Rigsby, o que representou uma das três reviravoltas eleitorais no norte do estado, que ficou azul (cor do Partido Democrata) nestas eleições legislativas.

Montgomery tinha sido alvo de críticas por parte do presidente do Partido Republicano do Alabama, Scott Stadthagen, durante a campanha eleitoral, quando este se referiu a Montgomery e a outra candidata democrata transgénero como "homens com perturbações mentais".

Quinnie Pérez, de ascendência mexicana, também fez história ao tornar-se a primeira funcionária eleita transgénero da Florida, após vencer as eleições para o conselho de supervisão do Distrito 1 de Conservação do Solo e da Água do condado de Orange.

Pérez centrou a sua campanha no apoio aos trabalhadores agrícolas e destacou a importância de proteger a biodiversidade local.

Enquanto em Michigan, Washington e Wisconsin a atenção centrou-se nas vitórias democratas nos principais cargos em disputa, no âmbito legislativo estadual o dia registou um marco sem precedentes: a eleição, pela primeira vez, de representantes transgénero nas respetivas assembleias estaduais.

Joanna Whaley, capelã de hospital, foi a primeira pessoa transgénero eleita para a Assembleia Legislativa estadual do Michigan, enquanto Jaelynn Scott fez o mesmo em Washington e Dina Nina Martínez-Rutherford foi eleita para a Assembleia estadual do Wisconsin.

Whaley tinha declarado, antes da sua eleição, que era uma sobrevivente de anos de "terapia de conversão", enquanto Scott ampliou o registo histórico ao tornar-se a primeira legisladora estadual transgénero negra dos Estados Unidos.

A administração Trump tem atacado os direitos das pessoas transgénero, nomeadamente nas Forças Armadas.

Numa ordem executiva, o líder republicano de 80 anos proibiu tropas transgénero de servirem nas forças armadas dos EUA, uma decisão que foi considerada ilegal por um tribunal de recurso e que aguarda decisão do Supremo após um recurso interposto pelo governo norte-americano.

A administração Trump reverteu uma série de conquistas obtidas por pessoas transgénero, incluindo no sistema prisional, determinando a transferência de reclusas transgénero de unidades femininas para unidades masculinas.

No entanto, em 2025, um juiz federal bloqueou esta decisão e, posteriormente, a política adotada em 2026 pelo sistema penitenciário federal, que eliminava o acesso dos reclusos a cirurgias ou tratamentos hormonais de transição de género, bem como a medidas de apoio, como o fornecimento de perucas ou maquilhagem.

Numa rara decisão sem fundamentação escrita, mas favorável aos direitos das pessoas transgénero, o Supremo Tribunal (de maioria conservadora) rejeitou no final de outubro o recurso apresentado pela administração Trump em setembro, impedindo a aplicação da referida política, sem, no entanto, se pronunciar sobre o mérito da questão.

Apenas os juízes mais conservadores, Clarence Thomas e Samuel Alito, se distanciaram da posição do Tribunal, que conta com uma maioria de seis conservadores contra três progressistas.