Albuquerque acusa oposição de "cinismo" na habitação e garante mais 300 casas
Presidente do Governo Regional critica partidos que contestam a falta de habitação, alegando que tiveram responsabilidades governativas sem resolver o problema
Albuquerque assegura que a Região já atribuiu 809 habitações e promete avançar com mais de 300 no próximo ano
O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, acusou os partidos da oposição de “algum cinismo” no debate sobre a habitação, considerando contraditório que forças políticas com responsabilidades governativas no passado critiquem agora a falta de casas. À margem da visita à Escola Básica com Pré-Escolar e Creche Dr. Alfredo Nóbrega Júnior, na Camacha, o governante garantiu que a Região mantém a capacidade de resposta e anunciou a construção de mais de 300 habitações no próximo ano.
“Acho que aqui há algum cinismo no meio disto tudo”, afirmou, dirigindo as críticas, em particular, ao Partido Socialista, tanto a nível nacional como regional. Albuquerque questionou a actuação dos socialistas durante os períodos em que exerceram funções governativas e apontou responsabilidades aos antigos autarcas do Funchal.
“Autarcas que foram eleitos do PS, que tiveram mandatos na principal Câmara da Madeira, que é a Câmara do Funchal, e não fizeram nenhuma habitação”, declarou aos jornalistas, contrapondo que, durante a sua passagem pela autarquia, construiu “centenas e centenas de habitações”.
Uma centena de pessoas reuniu-se no Funchal para preparar manifestação pela habitação
Começa a ganhar força, junto dos residentes na Madeira, a manifestação pelo direito à habitação prevista para as 17h00 do dia 14 de Novembro em várias cidades do país, com cerca de cem pessoas a participarem numa assembleia popular de preparação, que decorreu ao final da tarde deste domingo, no Jardim Municipal do Funchal.
O presidente do Governo Regional considerou que a resposta à crise habitacional exige tempo e planeamento, desde a elaboração dos projectos à aquisição de terrenos e à construção dos imóveis. Nesse sentido, rejeitou as exigências de resultados imediatos dirigidas ao Governo da República, liderado há cerca de dois anos, sublinhando que “as casas não se fazem em projecção espontânea”.
Apesar das críticas à contestação política, Albuquerque reconheceu que a preocupação com a falta de habitação é legítima, sobretudo entre os mais jovens, defendendo que o debate deve decorrer sem radicalização.
“Acho que têm [razão ao criticar a falta de habitação], mas a solução é fazê-la” Miguel Albuquerque
809 novas casas nos últimos dois anos
O governante garantiu que o Executivo madeirense já atribuiu 809 habitações nos últimos dois anos e que continuará a disponibilizar casas a preços acessíveis, com particular atenção às famílias e aos casais com maiores dificuldades de acesso ao mercado.
Segundo Albuquerque, cerca de 15 mil pessoas vivem actualmente em 68 empreendimentos habitacionais do Governo Regional. O presidente do Executivo defendeu ainda que a política regional não se limita à habitação social, abrangendo a disponibilização de casas em localizações que considerou privilegiadas, bem como medidas de apoio ao pagamento de rendas e à aquisição de habitação.
Construção de “50 e tal apartamentos” vai avançar junto à APEL
Entre as respostas em curso, apontou os apoios às rendas, os incentivos à aquisição e ao pagamento das prestações da casa e o programa de recuperação de habitações, através do qual, afirmou, mais de 500 famílias foram apoiadas nos últimos anos.
Albuquerque revelou ainda que a habitação cooperativa continuará a merecer o apoio público sendo um parceiro importante na política, anunciando que deverá ser brevemente adjudicada a construção de “50 e tal apartamentos” nas imediações da APEL.
“Essa é mais uma demagogia barata” do JPP
Questionado sobre as manifestações previstas para 14 de Novembro, o presidente do Governo Regional admitiu que poderá existir alguma adesão, atribuindo a mobilização à capacidade de organização dos partidos da esquerda e da extrema-esquerda.
Movimento Porta a Porta convoca manifestação pela habitação no Funchal
Protesto está marcado para 14 de Novembro e contesta as alterações à legislação do arrendamento propostas pelo Governo da República
Criticou ainda o que classificou como uma estratégia de radicalização política, considerando que esta impede uma discussão racional das soluções para a habitação.
Questionado pelos jornalistas, o governante reagiu também às críticas do JPP sobre os investimentos em campos de golfe, que o partido considera deverem ser canalizados para a habitação. “Essa é mais uma patética do JPP, é mais uma demagogia barata”, respondeu.