JP Madeira alerta "ter emprego já não basta para comprar casa"
Ter emprego e rendimentos regulares já não é suficiente para garantir o acesso à habitação na Madeira. O alerta é deixado pela Juventude Popular (JP), na sequência de uma reunião com a Century 21 Realty Art Alameda, realizada no âmbito das Jornadas 'Construir Futuro — Casa, Família e Natalidade'.
O encontro serviu para analisar a realidade do mercado imobiliário regional, nomeadamente os preços praticados, a escassez de imóveis compatíveis com os salários dos residentes e as dificuldades de financiamento enfrentadas pelos jovens que procuram comprar ou arrendar a primeira casa.
Estamos perante uma realidade em que ter emprego e rendimentos regulares já não significa conseguir comprar casa. O problema não está apenas no acesso ao crédito, mas sobretudo na falta de habitação a preços que os salários dos jovens madeirenses consigam suportar Lara-Pereira, vice-presidente da Juventude Popular da Madeira
Outra das preocupações identificadas foi a deslocação da procura para concelhos e zonas cada vez mais afastadas do Funchal, obrigando muitos jovens a procurar alternativas habitacionais longe dos locais de trabalho e, por vezes, com maiores dificuldades de acesso a transportes e serviços.
Durante a reunião foram também discutidas as diferenças entre os preços anunciados e os valores efectivos das transacções imobiliárias, bem como a repetição de imóveis nos portais, factores que, segundo a JP, podem dificultar uma avaliação rigorosa da oferta disponível.
O impacto das taxas de juro, os apoios à aquisição da primeira habitação, a procura por parte de compradores residentes e não residentes e os elevados custos de construção estiveram igualmente em análise.
"Precisamos de mais habitação, mas também de maior transparência sobre os preços reais do mercado e de políticas que respondam à capacidade financeira de quem vive e trabalha na Madeira. Não podemos continuar a empurrar os jovens para cada vez mais longe dos locais onde trabalham e pretendem construir família", defendeu Lara Pereira.
A reunião integra o ciclo de auscultações promovido pela JP Madeira, que tem vindo a reunir-se com cooperativas, ordens profissionais, associações e entidades privadas, com o objectivo de identificar soluções para os obstáculos que condicionam a autonomia dos jovens e a concretização dos seus projectos de vida.