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Madeira

"O Liceu deixou de ser uma escola de elites"

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A Escola Secundária Jaime Moniz (o 'Liceu'), que foi uma das instituições distinguidas, no passado dia 1 de Outubro, com uma das insígnias honoríficas atribuídas no âmbito das comemorações dos 50 Anos de Autonomia da Região Autónoma da Madeira, salienta hoje em nota de imprensa que "deixou de ser uma escola de elites".

O reconhecimento, que pretende assinalar o contributo da instituição para o ensino e para a formação de várias gerações de madeirenses ao longo do período autonómico, segundo a presidente do Conselho da Comunidade Educativa da Escola Secundária Jaime Moniz, Ana Isabel Marques da Silva, é uma distinção que permite também recordar as profundas transformações registadas pela instituição nas últimas cinco décadas.

"Em termos de escola, as mudanças foram verdadeiramente significativas, se tivermos em conta o número e o perfil dos estudantes que há 50 anos frequentavam o nosso 'Liceu'", afirma.

A responsável considera que a democratização do ensino e o regime autonómico contribuíram para uma alteração profunda no perfil da escola, nomeadamente através do aumento gradual da idade da escolaridade obrigatória. "O Liceu deixou de ser uma escola de elites, passando a ser a escola de todos os madeirenses, independentemente de classes sociais ou zonas habitacionais", sublinha.

Ana Isabel Marques da Silva destaca também a melhoria das redes viárias, que facilitou a deslocação diária de estudantes oriundos dos concelhos mais distantes para o Funchal. Na década de 1980, o aumento do número de alunos levou a escola a funcionar em três turnos, de manhã, à tarde e à noite.

O ensino nocturno permitiu, segundo a presidente do Conselho da Comunidade Educativa, que muitos adultos que tinham abandonado precocemente a escola durante o período da ditadura pudessem concluir a escolaridade e melhorar as respectivas condições de trabalho.

A dimensão humana da instituição é igualmente destacada pela responsável. "A escola faz-se sobretudo de pessoas: alunos, pais/encarregados de educação, professores e trabalhadores não docentes", afirma, salientando a dedicação de todos os que passaram pela escola nas últimas décadas.

Para Ana Isabel Marques da Silva, o percurso da Jaime Moniz demonstra o papel que uma instituição de ensino pode desempenhar na construção de uma sociedade mais justa, coesa e igualitária.

Os órgãos directivos da Escola Secundária Jaime Moniz - Conselho da Comunidade Educativa e Conselho Executivo - decidiram dedicar a distinção a toda a comunidade educativa, como forma de reconhecer o contributo de alunos, famílias, docentes e trabalhadores não docentes para a continuidade de uma instituição com cerca de dois séculos de história.