DNOTICIAS.PT
Madeira

'Francisco Franco' leva experiência Erasmus+ a Berlim

None

Uma comitiva da Escola Secundária de Francisco Franco (ESFF) participou, entre 20 e 26 de Setembro, numa mobilidade Erasmus+ em Berlim, na Alemanha, dedicada à observação de práticas pedagógicas e às respostas do sistema educativo à interculturalidade e à integração de alunos estrangeiros.

A deslocação integrou o projecto "Empowering Teachers: Building a Connected, Inclusive and Technological Tomorrow" e envolveu o presidente do Conselho Executivo da ESFF, António Pires, e os professores Olavo Teixeira, Ricardo Félix e Jorge Monteiro. Durante a estadia, o grupo acompanhou o funcionamento da escola Gail S. Halverson e conheceu diferentes aspectos da organização do sistema educativo do Estado de Berlim.

Um dos temas centrais da mobilidade foi a integração dos alunos que não dominam a língua alemã. Nestes casos, os estudantes são integrados numa turma dedicada sobretudo à aprendizagem do idioma durante um ano, antes de prosseguirem o seu percurso escolar.

A realidade observada em Berlim assume particular relevância para a ESFF, que tem vindo a receber alunos de diferentes origens. Segundo António Pires, a escola tinha, no ano lectivo 2025-2026, "92 alunos estrangeiros de 21 nacionalidades", uma realidade que, considera, torna necessário preparar a escola para responder às necessidades educativas de uma comunidade cada vez mais diversificada.

Durante as sessões de trabalho, os docentes portugueses abordaram ainda a organização do sistema educativo alemão, a formação e carreira dos professores, os percursos escolares dos alunos e os desafios que actualmente se colocam às escolas. A Alemanha enfrenta, à semelhança de Portugal, uma falta de professores associada ao envelhecimento da classe docente e à dificuldade em atrair jovens para a profissão, apesar das condições salariais existentes.

A coordenadora do projecto Erasmus+ da escola de acolhimento, Monika Floyd, explicou que, na Alemanha, apenas cerca de 25% dos alunos seguem o ensino universitário, enquanto 75% optam por uma via profissionalizante. O encaminhamento para diferentes percursos começa relativamente cedo, por volta dos 10/11 anos, em função dos resultados escolares, com os alunos a poderem seguir, nomeadamente, para o Gymnasium, de orientação mais académica, ou para cursos profissionalizantes.

Outra especificidade identificada pelos professores da ESFF prende-se com a organização administrativa do ensino. Cada Estado Federado alemão dispõe do seu próprio sistema educativo, existindo diferenças entre os vários territórios. Foi também abordado o prolongamento da escolaridade obrigatória até aos 15 anos e a gratuitidade do ensino universitário.

A utilização das tecnologias em contexto escolar constituiu outro dos temas de comparação. Na escola visitada não são utilizados manuais digitais e a utilização de computadores e telemóveis durante as aulas é proibida, uma opção que permitiu aos docentes portugueses confrontar esta realidade com as práticas actualmente adoptadas em Portugal.

Os resultados do estudo PISA e a evolução das aprendizagens também fizeram parte das sessões de trabalho. A Alemanha, tal como Portugal, tem registado dificuldades na evolução dos resultados dos alunos, situação que tem motivado a discussão sobre as estratégias a adoptar para melhorar as aprendizagens.

Para António Pires, as mobilidades europeias constituem instrumentos de formação e de partilha que permitem conhecer outras respostas educativas e reflectir sobre a sua eventual adaptação à realidade da escola. A experiência em Berlim permitiu, nesse sentido, aprofundar a reflexão sobre a educação inclusiva, a diversidade cultural e as respostas às necessidades de uma comunidade educativa heterogénea.

A deslocação incluiu ainda uma componente cultural, com a comitiva a conhecer Berlim e aspectos da história alemã e europeia, reforçando também os contactos e a cooperação com a escola de acolhimento.

A mobilidade na Alemanha marcou a conclusão do projecto "Empowering Teachers", iniciado em Novembro de 2025. Ao longo da sua execução, a iniciativa envolveu 17 professores e um técnico de informática da ESFF, que participaram em mobilidades e actividades de formação, observação e partilha em escolas parceiras da Irlanda, Itália, Finlândia e Alemanha.

A escola considera que o projecto permitiu conhecer diferentes sistemas educativos, observar práticas pedagógicas e reforçar competências profissionais, ao mesmo tempo que contribuiu para a internacionalização da ESFF e para a cooperação com instituições de ensino europeias.