Montenegro diz que massacre de 7 de Outubro foi "detonador" da crise
Primeiro-ministro lamenta incapacidade da comunidade internacional para resolver a situação
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou hoje que o terceiro aniversário do ataque do Hamas em Israel merece uma "reflexão profunda" sobre o detonador de uma crise para a qual a comunidade internacional tem sido incapaz de encontrar soluções.
"São três anos que merecem uma reflexão também profunda de todos nós sobre o detonador desta crise, que foi o ataque perpetrado pelo Hamas, e que nós condenamos veemente, [assim como] todas as expressões de terrorismo, de desrespeito flagrante pelos direitos humanos", declarou Montenegro, em declarações à chegada de uma cimeira dos países do sul da União Europeu (UE) em Split, Croácia.
De acordo com o primeiro-ministro, "a UE tem sido muito insistente, e persistente também, na sua intervenção no sentido de conduzir toda esta situação para uma resolução rápida, diplomática, com o cessar-fogo que está neste momento vigente a produzir mais efeito, até do ponto de vista humanitário, do que aquilo que a realidade nos tem mostrado".
"Mas, ao mesmo tempo, [há que] reconhecer que, do ponto de vista global, a comunidade internacional tem sido incapaz de acelerar a estabilização da região. Continuamos naturalmente muito empenhados em dar o nosso contributo, muitas vezes mediando algumas soluções e alguns enquadramentos de decisão", completou.
Luís Montenegro está acompanhado em Split pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, que já hoje, numa mensagem publicada na rede social X, expressara a solidariedade portuguesa para com o povo israelita, quando se cumprem três anos do ataque do Hamas em Israel, que considerou o mais grave massacre terrorista antissemita depois do holocausto.
"Passam hoje três anos sobre o mais grave massacre terrorista antissemita depois da 'Shoah'", escreve Paulo Rangel, numa mensagem na rede social X, expressando a solidariedade de Portugal para com as famílias das vítimas -- "incluindo as portuguesas" -- e o povo israelita.
Na mensagem, Paulo Rangel considera ainda que o 07 de outubro de 2023 não pode ser esquecido e que "o antissemitismo tem de ser sempre condenado e combatido".
O ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023 em Israel, num local onde decorria um festival de música eletrónica, provocou a morte a 1.200 pessoas e mais de 251 pessoas foram raptadas.
Este ataque desencadeou uma guerra devastadora em Gaza, que causou mais de 74.000 mortos, deixando grande parte do território em ruínas e a sua população de dois milhões de pessoas a viver em condições precárias.
Um comité de peritos independentes da ONU, bem como organizações israelitas de direitos humanos e entidades internacionais como a Amnistia Internacional, concluíram que as ações de Israel na Faixa de Gaza constituem um genocídio contra o povo palestiniano.