Animais de companhia estão a ser vendidos online com chip e número de criador falsos
Cerca de 60% das vendas dos animais de companhia fazem-se online e existem plataformas a fornecer microchips e números de criador falsos, sem fiscalização, denunciou ontem no parlamento o bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Pedro Fabrica.
"Aquilo que defendemos é que qualquer anuncio com um animal com o seu microchip tem de ser validado pelo SIAC (Sistema de Validação de Animais de Companhia). Tem de haver uma validação, uma autenticação deste número", disse o bastonário em audição na Comissão de Agricultura e Pescas.
Com esta medida, considerou que haveria um maior controlo, a par de maior fiscalização. "Aí, a ASAE também poderia fazer o papel de controlo, a nível de vendas online, que é o principal mecanismo de vendas", sugeriu, ao ser ouvido sobre a criação de um estatuto do criador informal dos animais de companhia, em discussão no parlamento.
Pedro Fabrica pediu atenção para a regulação da reprodução dos animais de companhia, uma vez que os números são muito superiores aos que são registados.
"Cerca de 15.000 animais por ano, em média, são registados (crias) no Clube Português de Canicultura. Chegam aos CROS (Centros de Recolha Oficial), 40.000", indicou.
A maioria dos animais que chegam a estes centros não tem identificação eletrónica, de acordo com o bastonário.
Para Pedro Fabrica, o foco não deve ser colocado na definição do que é um criador informal, mas na regulação da reprodução dos animais de companhia, em contexto doméstico.
"É esse o passo que tem de ser dado, é regular", sublinhou, defendendo que quem quiser reproduzir cães em casa deve pedir autorização, registando a progenitora e inscrevendo as crias gratuitamente no site do SIAC, nas primeiras 72 horas.
"Isto tem de ser uma obrigação e ao ser uma obrigação, vamos conseguir entender de onde é que vem o fluxo destes animais", explicou.
Segundo o bastonário, deve ser também antecipada a altura de colocar o microchip nos animais, para seis semanas. "Normalmente, os animais quando deixam a mãe é por volta dessa altura e nós perdemos o rasto se deixarmos a responsabilidade de aplicar o microchip até aos 120 dias. Temos de antecipar essa cadeia", justificou.
Pedro Fabrica reclamou igualmente melhores condições de trabalho e remuneração para os veterinários, bem como um reforço dos quadros dos municípios.
De acordo com os dados que apresentou aos deputados, apenas 45% dos municípios dispõe de médico veterinário municipal, apesar de Portugal não ter falta de profissionais nesta área.
Mais de 10.000 médicos veterinários estão inscritos na Ordem.
O bastonário defendeu igualmente um investimento nos meios da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).