Lula admite resultado inesperado mas segunda volta será a "prova dos nove"
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, admitiu hoje que o resultado na primeira volta das presidenciais de domingo foi" inesperado", mas afirmou que a segunda volta será "a hora da prova dos nove".
"O resultado, muitas vezes, é inesperado. A gente nunca consegue tudo aquilo que a gente queria. Eu confesso para vocês que eu estava convencido que eu ia ganhar as eleições no primeiro turno", disse o Presidente brasileiro, num hotel em São Paulo, rodeado de apoiantes que procuravam animar a sala apesar dos desânimos visíveis.
Segundo os dados oficiais, Flávio Bolsonaro registou 47,05% dos votos válidos na primeira volta, enquanto Lula da Silva obteve 45,14%, quando estão contabilizadas 99,91% das secções eleitorais.
Lula da Silva tentou dar o mote e animar as tropas desanimadas presentes na sala e que encheram o anfiteatro do Hotel Renaissance: "o jogo vai começar. Estamos na prorrogação".
"Na prorrogação, nós vamos convencer o povo brasileiro da importância de continuarmos o projeto de desenvolvimento tecnológico, científico, exploração de terras raras e minerais críticos, e vamos mostrar o que vai ser o crescimento da nova indústria no Brasil", declarou.
Voltou a instar, como tem feito ao longo da campanha, que Flávio Bolsonaro tem "uma biografia de um passado tenebroso".
"Nós vamos ganhar esta eleição", apostou.
Por outro lado, o vencedor da noite, Flávio Bolsonaro, disse estar "muito feliz" com o resultado na primeira volta nas eleições de domingo, declarou "ser o fim da era do PT" e que o "povo quer mudança".
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro mostrou-se confiante na vitória na segunda volta, em 25 de outubro, e prometeu fazer "uma campanha limpa".
"Estou muito confiante com a possibilidade real de que, daqui a três semanas, iremos vencer", declarou, afirmando que Lula da Silva "só quer poder".
O candidato Flávio Bolsonaro e o atual chefe de Estado brasileiro, Lula da Silva, vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, que decorre no dia 25 de outubro.
O filho mais velho de Jair Bolsonaro somou este domingo mais de 56 milhões de votos, cerca de dois milhões acima de Lula e aproximadamente dois milhões acima do resultado do pai na primeira volta de 2022.
Chegou a ficar perto da vitória na primeira volta, mas perdeu força à medida que foram contabilizados os votos da região Nordeste do país, bastião político da esquerda brasileira.
Antes de serem conhecidos os resultados, fontes da campanha de Lula da Silva tinham avançado que o atual Presidente precisava de pelo menos quatro pontos de vantagem para avançar com alguma tranquilidade para a segunda volta, o que não aconteceu.
Atrás ficaram o psiquiatra e escritor Augusto Cury (2,90%), do Avante, o agitador de extrema-direita Renan Santos (2,26%), do Missão, o antigo governador conservador de Goiás Ronaldo Caiado (2,20%), do Partido Social Democrático (PSD), e o antigo governador liberal de Minas Gerais Romeu Zema (0,28%).
As sondagens já tinham mostrado, nas últimas semanas, uma tendência de subida de Flávio, candidato do Partido Liberal (PL) por indicação do pai, que se encontra em prisão domiciliária após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado.
No entanto, nem a Quaest nem a Datafolha, as duas empresas de sondagens mais relevantes do país, previram uma vitória clara do senador.
Para a segunda volta, as sondagens publicadas antes deste domingo apontavam para uma disputa muito renhida, com Lula e Flávio em empate técnico.
Lula procura, aos 80 anos, um quarto mandato não consecutivo.