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Lula e Flávio terminam campanha nas cidades que os viram crescer

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FOTO Sebastiao Moreira/EPA

Lula da Silva e Flávio Bolsonaro encerraram hoje as ações de campanha em São Paulo e no Rio de Janeiro, cidades que marcaram os seus percursos políticos, na véspera da primeira volta das eleições presidenciais brasileiras.

De manhã, sob um sol intenso, o Presidente brasileiro Lula da Silva percorreu o centro de São Paulo rodeado por uma maré vermelha de apoiantes, numa caminhada que partiu da Avenida Paulista.

De chapéu Panamá, a bordo de um camião de som, Lula da Silva, de 80 anos, acompanhado pelo candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, e pelas candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet, estendia as mãos à multidão que se aproximava do veículo para lhe tocar. "É o povo brasileiro que vai derrotar a extrema-direita, os fascistas e os negacionistas", disse, numa referência ao campo político do seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado por Lula nas eleições de 2022.

"Precisamos decidir essa parada amanhã", frisou, referindo-se à necessidade de uma vitória já na primeira volta das eleições porque, na sua opinião, "do outro lado tem um chefe de quadrilha".

Lula da Silva, nascido em Pernambuco, mudou-se aos sete anos para o estado de São Paulo com a mãe e seis irmãos, fugindo da fome, e integrou em 1969 a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, na região metropolitana da capital.

"A Paulista não é da direita, é do povo brasileiro", afirmou, reivindicando como espaço de mobilização popular a avenida que tem sido palco de manifestações da direita.

Já Flávio Bolsonaro, antes de encerrar a campanha no seu estado natal, o Rio de Janeiro, passou também por São Paulo, mas pelo interior, onde o bolsonarismo tem uma forte implantação, liderando um desfile de motas entre Santa Bárbara d'Oeste e Americana, acompanhado pelo governador Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição.

Ao longo do percurso, o verde e o amarelo das bandeiras brasileiras dominavam a caravana de motas, autocarros e automóveis, enquanto milhares de apoiantes se concentravam nas pontes sobre a estrada ou acompanhavam o candidato pelas vias adjacentes, entre buzinadelas e cartazes de apoio ao senador e ao pai.

A mobilização ficou também marcada por apelos à libertação daqueles que os manifestantes classificavam como "presos políticos", entre os quais Jair Bolsonaro e os condenados pelo assalto às sedes dos três poderes, em Brasília, em 08 de janeiro de 2023.

"Calma, o resgate está chegando pai", escreveu Flávio Bolsonaro nas redes sociais, numa alusão à prometida libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Na reta final da campanha, Flávio Bolsonaro tem apelado ao voto útil dos eleitores contrários a Lula da Silva, afirmando acreditar numa vitória já na primeira volta das eleições de domingo.

E hoje afirmou: "Assim como Tarcísio vai sair vitorioso no primeiro turno, tenho a convicção e tem tudo para que a gente ganhe no primeiro turno".

Já no Rio de Janeiro, numa caravana de automóveis e motas entre Campo Grande e Bangu, Flávio seguiu num carro ao lado do candidato ao Governo estadual, Douglas Ruas, e do candidato ao Senado Carlos Jordy, dando o mote à mobilização com um lema associado ao pai: "meu partido é Deus, pátria e família".

Os dois candidatos concentraram esforços nos últimos dias em ações de campanha em São Paulo, Minas Gerais e no Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do Brasil, que reúnem quase 40% do eleitorado nacional e elegem as maiores bancadas de deputados federais nas eleições gerais de domingo.

Mais de 158 milhões de brasileiros são chamados às urnas no domingo para a primeira volta das presidenciais altamente disputadas entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro e para eleger governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais.

O Presidente Lula da Silva procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o mesmo adversário que tenta agora derrotar.

Tal como há quatro anos, o Brasil chega às urnas profundamente polarizado, como indicam as sondagens que apontam para um empate técnico entre os dois principais candidatos. O clima de tensão levou também países como o Reino Unido, o Canadá e a Alemanha a alertarem para possíveis manifestações e confrontos durante as eleições, enquanto os Estados Unidos e a Austrália suspenderam na sexta-feira o atendimento nas suas representações diplomáticas no Brasil por razões de segurança.