Flávio muda versão de carta e deixa de se apresentar como "presidente verdadeiro do Brasil"
Flávio Bolsonaro (PL) mudou a versão da carta, e agora se refere como "líder do Brasil", 20 minutos após publicar nas redes sociais o pronunciamento em que se alto proclamou "verdadeiro presidente do Brasil".
Às 17h19 minutos, horário de Brasília (21h19, em Lisboa), quebrou o silêncio após deixar o Brasil e chegar hoje aos Estados Unidos, e publicou uma carta nas redes sociais em que agradeceu Donald Trump e Javier Milei pelo apoio.
Na sequência, acusou, sem aprovas, que houve fraude nas eleições brasileiras, se disse vítima de uma perseguição política do juiz do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, além de se referir a si próprio, mais de uma vez como "verdadeiro presidente do Brasil".
Cerca de 20 minutos após a primeira postagem, Flávio Bolsonaro publicou uma nova versão da "Carta à Nação Brasileira", mas dessa vez escreveu que se dirigia a comunidade nacional e internacional "como líder do Brasil".
A fuga de Flávio Bolsonaro ocorreu um dia depois de ter sido intimado pela Polícia Federal, por ordem do juiz do STF Alexandre de Moraes, a entregar todos os passaportes que possui no prazo de 24 horas, e de ter sido proibido de deixar o Brasil.
A decisão de Moraes consta de um processo em que Flávio e um amigo, o advogado Willer Tomaz, são investigados por branqueamento de capitais, num suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e uma plataforma de apostas.
O senador da extrema-direita brasileira é ainda alvo de uma investigação do STF por suspeita de branqueamento de capitais no financiamento do filme "Dark Horse", uma cinebiografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que se encontra detido por tentativa fracassada de golpe de Estado.
Na segunda-feira, um dia antes de deixar o país, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que garantiu que nunca deixaria o Brasil e que entregaria os passaportes às autoridades policiais.
Na carta divulgada hoje, porém, afirmou que decidiu sair do país para proteger a família e rejeitou a descrição de que teria fugido do Brasil.
O senador afirmou ainda que vai liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos e prometeu dirigir-se regularmente aos brasileiros nos próximos dias.
"Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece", escreveu.
Ao contrário do seu candidato a vice na eleição, Alfredo Gaspar, e do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, o filho de Jair Bolsonaro não reconheceu a derrota para Lula da Silva no domingo passado, na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras.
Irmão de Flávio, o senador eleito Carlos Bolsonaro, publicou vídeo nas redes sociais após visitar Jair na prisão domiciliaria em Brasília, e durante conversa de duas horas que tiveram descreveu emocionado que pediu perdão: "Desculpa, pai, a gente falhou".