Com poucos votos em disputa, Flávio tenta reduzir rejeição no Nordeste
O analista Leandro Gabiati disse que o candidato presidencial brasileiro Flávio Bolsonaro procura reduzir a rejeição no Nordeste, bastião de Lula da Silva, numa reta final de campanha em que os poucos eleitores ainda indecisos podem determinar o vencedor.
"No Nordeste é diminuir a rejeição e tentar diminuir a diferença com o Lula", disse ontem à Lusa o cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium Consultoria, empresa focada em relações institucionais, assuntos governamentais e análise de cenários políticos e regulatórios no Brasil.
Apesar de ter vencido a primeira volta com uma vantagem nacional de cerca de 2,2 milhões de votos sobre Lula da Silva, Flávio Bolsonaro ficou atrás do Presidente em 11,1 milhões de votos no Nordeste, onde obteve 30,85%, contra os 63,77% do atual Presidente brasileiro.
Flávio Bolsonaro tem previstas passagens por São Luís e Fortaleza nesta última semana de campanha.
Em paralelo, o deputado Nikolas Ferreira, de 30 anos, o mais votado da história da Câmara dos Deputados, com mais de três milhões de votos e mais de 22 milhões de seguidores no Instagram, tem mobilizado apoiantes em favor do candidato do Partido Liberal (PL), com um roteiro em várias capitais nordestinas, incluindo Aracaju, Recife e Fortaleza.
"O que ele está tentando fazer é engajar a militância e convencer o eleitorado justamente para diminuir essa diferença muito grande que houve na primeira volta", explicou Leandro Gabiati, sobre a estratégia de Flávio Bolsonaro no Nordeste.
Para Gabiati, a margem para conquistar eleitores nesta reta final é muito reduzida, mas pode ser suficiente para decidir uma eleição que admite vir a ser resolvida por cerca de um milhão de votos.
"São poucos eleitores que estão ainda abertos a serem convencidos ou a definir o voto", afirmou.
"Quem for mais sábio e tiver mais capacidade de diálogo com esse grupo terá mais chances de vencer a disputa", acrescentou.
Já Lula da Silva precisa de reduzir a desvantagem no Sudeste, onde perdeu terreno face a 2022, segundo o politólogo, que considera decisivo conciliar essa recuperação com a vantagem no Nordeste.
"Se ele conseguir se aproximar do Flávio no Sudeste, com a diferença que ele tem no Nordeste, ele vence a eleição. Evidentemente isso aí não é simples", afirmou Gabiati.
Por essa razão, nos dias finais da campanha, o Sudeste deverá concentrar as atenções dos candidatos nos últimos dias de campanha, pelo peso eleitoral de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram, em conjunto, cerca de 63,3 milhões de eleitores, quase 40% do eleitorado brasileiro.
"São os maiores colégios e são eles que demandam a maior atenção no encerramento de uma campanha principalmente", afirmou Gabiati.
Lula tem prevista uma deslocação a Belo Horizonte na quarta-feira e encerrar a campanha no sábado, véspera da votação, com ações no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Também no sábado, Flávio Bolsonaro tem prevista uma motociata em Belo Horizonte e uma mobilização no Rio de Janeiro, que termina no condomínio onde o pai, Jair Bolsonaro, possui um apartamento.
Na primeira volta, realizada em 04 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.