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Nuno Melo diz que PSP "levou a paciência até ao limite" e agiu "com contenção"

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O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, defendeu hoje a atuação das forças de segurança nos protestos pela habitação, considerando que a PSP respondeu "com firmeza e contenção" e "levou a paciência até ao limite".

"Perante a provocação, [a PSP] respondeu com profissionalismo. Perante a tensão, com firmeza e contenção, levou a paciência até ao limite, mas quando foi necessário agir, agiu e agiu com determinação", considerou Nuno Melo, durante o debate na generalidade sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2027, na Assembleia da República.

O também presidente do CDS-PP subiu ao púlpito para uma intervenção centrada no investimento nas Forças Armadas, mas acabou por também elogiar as forças de segurança, num momento que tem sido marcado por vários protestos pela habitação e a atuação policial.

Nuno Melo salientou que "Portugal é um país seguro", mas que tal não pode ser dado como adquirido e deve-se "ao profissionalismo, à competência e ao sentido de missão das mulheres e dos homens das nossas forças e serviços de segurança e das nossas Forças Armadas".

Após os pedidos de esclarecimento, em resposta ao deputado do CDS-PP João Almeida, Nuno Melo voltou ao tema: "Não faltou quem ali, e também aqui em alguns locais, não queira outra coisa que não seja a democracia popular, com a turba a decidir em assembleias na rua à volta de jargões trotskistas".

"Nós defendemos a democracia representativa com o povo a decidir aqui representado pelos senhores deputados, há uma imensa diferença. Há quem queira a Praça D. João I no Porto ou o Rossio em Lisboa transformados na Bastilha em Paris e nós queremos Portugal poupado à loucura, dando exemplo entre as nações civilizadas", argumentou, intervenção que gerou protestos vindos da bancada do PS.

Nuno Melo prosseguiu, insurgindo-se contra quem quer "acabar com o Estado, os tribunais, a polícia e os media".

"Eles são o PREC [Processo Revolucionário em Curso], nós somos o 25 de Novembro", afirmou.

O governante lembrou que no próximo dia 25 de novembro vai condecorar todos os comandos vivos envolvidos nesta operação militar, e postumamente os que já morreram, porque "o 25 de novembro confirmou o que quis o 25 de Abril".

Neste período do debate, o deputado Miguel Rangel, da IL, estranhou o facto de o ministro da Defesa ter dedicado uma parte da sua intervenção a elogiar as forças de segurança, que são tuteladas pela Administração Interna, liderada pelo ministro Luís Neves.

"Estando cá o Ministro da Administração Interna, não sei se este é um pré-aviso da sua demissão ou da sua ausência total deste debate", atirou.

Na área da Defesa, Nuno Melo voltou a realçar que foi este governo que atingiu o objetivo dos 2% do Produto Interno Bruto no setor e insistiu que a queda de efetivos está a ser revertida.

De acordo com o ministro, o Exército registou um aumento de militares na ordem dos 16%, "um batalhão em cada ano", e de 2024 até hoje "foram mais os jovens que entraram" nas Forças Armadas do que os que saíram. Os chefes militares têm alertado para a saída de pessoal qualificado, com muitos anos de experiência.

Numa referência aos critérios de admissão nas Forças Armadas, que o Governo tenciona rever em breve, Nuno Melo acusou o PS de ter tentado inverter a queda de efetivos "diminuindo os padrões de exigência da instituição militar, com recurso a atos simbólicos, agendas ou a cosmética".

Nuno Simões de Melo, do Chega, e Paula Santos, do PCP, questionaram o ministro sobre valorização remuneratória dos efetivos, e Patrícia Faro, do PS, apontou ao Governo "falta de ambição" no orçamento previsto para a Defesa, que pouco varia face ao deste ano. Nuno Melo lembrou que a estas verbas irão juntar-se os 5,8 mil milhões de euros dos empréstimos europeus SAFE.

Pelo PSD, Bruno Vitorino considerou que a Defesa Nacional "estava de pantanas, tal como outras áreas do país" e que foi a AD a recuperá-la.