Líderes da Finlândia e Noruega em conversações com Putin e Zelensky
Os líderes da Finlândia e da Noruega falaram hoje com os dirigentes da Rússia e da Ucrânia, no seguimento das discussões recentes entre o Presidente ucraniano e emissários norte-americanos em Oslo, anunciaram as quatro capitais.
Realizada por iniciativa dos dois líderes nórdicos, anfitriões do encontro de Oslo na terça-feira passada, a conversa com Vladimir Putin "foi franca e substancial", disse o Presidente finlandês, Alexander Stubb, citado num comunicado conjunto.
A discussão decorreu em consulta com a Ucrânia, precisaram Stubb e o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, no comunicado citado pela agência francesa AFP.
"O resultado desta guerra terá consequências diretas na nossa segurança e, de forma mais ampla, na da Europa. Pôr fim à guerra exige discussões diretas", considerou Stubb.
O primeiro contacto telefónico foi feito com Putin, que encorajou Stubb e Store a prosseguirem conversações, mas reafirmou que um acordo terá de acautelar os interesses da Rússia, segundo um comunicado do Kremlin (presidência).
"Foi salientado que alcançar uma paz justa e duradoura só será possível se forem tidos em conta de forma plena e incondicional os interesses legítimos da Federação Russa", informou o Kremlin.
Putin também denunciou "a política de confrontação dos países da União Europeia e da NATO, que conduz ao prolongamento das ações militares" entre russos e ucranianos, segundo a agência espanhola EFE.
O líder russo informou os homólogos sobre a atual situação na frente de combate e aludiu às "causas originais" do conflito.
Putin e os interlocutores saudaram a decisão de retomar em breve as negociações de paz, estagnadas desde fevereiro devido à guerra no Irão.
Ressaltaram que tais conversações com mediação dos Estados Unidos visam, entre outras coisas, alcançar um acordo sobre as garantias "de segurança da Rússia e da Ucrânia após o fim definitivo dos combates".
Abordaram também a trégua humanitária que entrou hoje em vigor para fornecimento de ajuda de primeira necessidade aos habitantes da localidade ucraniana de Oleshky, ocupada pelas tropas russas na região de Kherson.
Em Kiev, a presidência ucraniana anunciou que Zelensky falou com Stubb e Jonas Gahr Store após a chamada telefónica dos dois com Putin, mas desconhecem-se ainda resultados da conversa.
Para além da Ucrânia, durante a conversa telefónica com Putin foi tratado o assunto da segurança e estabilidade no mar Báltico e no norte da Europa.
A este respeito, segundo a nota oficial, os dirigentes finlandês e norueguês sublinharam a importância de respeitar o direito internacional do mar e o princípio da livre navegação.
"Os líderes dos três países concordaram em continuar a manter contactos diretos por telefone", acrescentou.
Este é o primeiro contacto entre Putin e Stubb, enquanto o primeiro-ministro norueguês falou pela última vez com o líder russo em março de 2022.
Stubb, que mantém uma boa relação com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacou ter sido "uma conversa direta e substancial".
"Somos países vizinhos da Rússia", afirmou.
A Finlândia aderiu à NATO depois de Putin ter ordenado, em 2022, a campanha militar contra a Ucrânia, enquanto a Noruega, que partilha apenas 200 quilómetros de fronteira com a Rússia, é membro da Aliança Atlântica desde 1949.
Os dois líderes nórdicos, cujos países estão entre os principais apoiantes da Ucrânia, afirmam ter-se pronunciado em nome próprio, e não em nome dos europeus no seu conjunto.
No entanto, a chefe do Governo dinamarquês, Mette Frederiksen, criticou os dois homólogos por terem agido "a solo", de acordo com a AFP.
"Estou muito cética em relação a esta iniciativa tomada pelos noruegueses e finlandeses por iniciativa própria. Não foi coordenada com nenhum de nós", afirmou ao canal público DR.
Os líderes do norte da Europa encontram-se atualmente reunidos em Helsínquia no âmbito de um encontro dos primeiros-ministros nórdicos