Líderes mostraram "apoio inequívoco e unânime" a Zelensky, diz Montenegro
O primeiro-ministro afirmou hoje que os líderes da União Europeia manifestaram "apoio inequívoco e unânime" ao Presidente da Ucrânia e concordaram em manter a ajuda "política, militar e financeira" a Kiev.
Houve um "apoio inequívoco e unânime à Ucrânia e ao Presidente Zelensky, que tem revelado uma especial intervenção e empenho em obter uma solução de paz, que infelizmente não teve ainda eco por parte da outra parte envolvida, a Federação Russa", afirmou Luís Montenegro numa conferência de imprensa no final da cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas.
O primeiro-ministro referiu que, na cimeira, que contou com a participação de Volodymyr Zelensky, houve "entendimento unânime" entre os líderes em "continuar a dar apoio político, militar e financeiro à Ucrânia".
Da mesma maneira, Montenegro indicou que os chefes de Estado e de Governo da UE concordaram em "manter o nível de pressão sobre a Rússia e as respetivas sanções", ao mesmo tempo em que procuram "manter todas as pontes de diálogo com aqueles que, na comunidade internacional, podem ser relevantes na procura de uma paz justa e duradoura", numa aparente alusão aos Estados Unidos.
Na sua intervenção perante os líderes da UE, Volodymyr Zelensky avisou que o país vai precisar de mais 70 mil milhões de euros em 2027 do que estava inicialmente previsto, apelando a que arranjem maneiras de os conceder.
Questionado se Portugal irá apoiar uma nova emissão de dívida comum da UE para financiar um novo empréstimo europeu de 70 mil milhões de euros para a Ucrânia -- que acresceria ao de 90 mil milhões que já foi aprovado pelo bloco para 2026 e 2027 --, Luís Montenegro não respondeu diretamente.
O primeiro-ministro recordou que, além do empréstimo de 90 mil milhões de euros, os Estados-membros da UE estão também a procurar contribuir "para o reforço da capacidade financeira e, também, da capacidade militar da Ucrânia" através de compromissos bilaterais ou de outras iniciativas conjuntas feitas fora do quadro europeu.
"Obviamente nós teremos que ir atualizando aquelas que são as necessidades, face também às disponibilidades que cada um de nós tem naquilo que é a sua gestão orçamental e financeira", afirmou.
O "apoio inequívoco" dos líderes da UE a Zelensky descrito por Montenegro surge numa altura de tensões crescentes entre a Ucrânia e os Estados Unidos, depois de Washington ter anunciado um acordo com a Rússia sobre fornecimento de gasóleo.
Nos últimos dias, Volodymyr Zelensky admitiu que se sentia traído por Trump, enquanto o Presidente norte-americano voltou a apelar a que Zelensky seja substituído -- considerando que é a única via para se conseguir negociar a paz na guerra -- e alegou que é mais fácil lidar com Putin do que com ele.