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Rosa Sousa exige transparência algorítmica

Ponte mais urgente é intergeracional, diz a nova presidente da UGT

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Foto Lusa

A nova presidente da UGT, Rosa Sousa, exigiu hoje "transparência algorítmica" perante o desafio da inteligência artificial (IA) e transição digital e considerou que a "ponte mais urgente" é a intergeracional.

No encerramento do 15.º Congresso da União Geral dos Trabalhadores (UGT), que decorreu na Figueira da Foz, distrito de Coimbra, e que a elegeu, Rosa Sousa defendeu que a IA e a transição digital "não podem ser usadas como uma venda para mascarar velhas formas de precariedade".

"Não podemos permitir que o algoritmo substitua a negociação coletiva, nem que um código de programação decida, de forma cega e sem escrutínio, quem é contratado ou é despedido. Queremos transparência algorítmica, queremos direito à desconexão e, acima de tudo, exigimos que nenhuma máquina retire ao trabalhador o direito à supervisão humana e ao respeito pela saúde mental", disse.

Segundo Rosa Sousa, "a inovação só é real se gerar trabalho digno" e, se a "tecnologia serve para aumentar a produtividade, esse ganho pode ser também canalizado para melhores salários".

A dirigente apontou como "a ponte mais urgente" para a UGT a "ponte intergeracional", defendendo que não se pode aceitar "um país que investe na educação e na qualificação" dos jovens para depois os ver "exportados por falta de perspetivas e por baixos salários".

A UGT, sublinhou, tem de "trazer os jovens para o coração" da central sindical, "garantindo que o talento seja reconhecido e justamente pago na sua própria terra".

"A economia portuguesa só crescerá de forma saudável quando os salários deixarem de ser vistos como um custo e passarem a ser vistos como um motor do desenvolvimento nacional. Não procuramos de conflito pelo conflito. Estamos prontos para negociar, estamos prontos para propor e estamos prontos para decidir", referiu.

No seu discurso, Rosa Sousa notou que este mandato se inicia sob o "impacto de uma crise energética mundial", que "prejudica dramaticamente os mais pobres", uma realidade a que não se pode "fechar os olhos".

"Para anteceder a emergência, o país exige de nós um profundo espírito de responsabilidade social. A UGT continuará disponível para ser um parceiro ativo na procura de soluções que ajudem o país", prometeu.