Querido DIÁRIO

Obrigado por estes 150 anos. Obrigado por teres nascido numa ilha, quando fazer um jornal diário era um acto de coragem. Por teres acreditado que a Madeira precisava de se conhecer, de se reconhecer e de ter voz. Por teres escolhido, desde o primeiro dia, pugnar pelos interesses dos madeirenses.

Obrigado pelas notícias que fizeram história, pelas perguntas que incomodaram, pelas denúncias que deram voz a quem não a tinha, pelas causas que ajudaste a defender e pelas memórias que guardaste. Pelas páginas que testemunharam alegrias e tragédias, conquistas e reveses, mudanças e permanências. Pelos dias em que foste companhia, pelos momentos em que foste alarme e pelas ocasiões em que foste simplesmente indispensável.

Obrigado aos que foram fazendo este património. Aos que escreveram, fotografaram, imprimiram, distribuíram, venderam, administraram e cuidaram de cada edição. Aos que chegaram primeiro, aos que continuaram, aos que abriram caminhos e aos que, tantas vezes longe dos holofotes, garantiram que o jornal chegasse às mãos de quem o esperava.

E obrigado, sobretudo, aos leitores meus conterrâneos que te protegeram de todos os males. Aos que te acompanham há décadas e aos que acabaram de te descobrir. Aos que guardam recortes, recordam manchetes, procuram o seu nome nas páginas ou começam o dia pela tua leitura. Porque um jornal não se faz apenas com notícias, papel, tinta ou tecnologia. Faz-se também da confiança de quem o lê, da exigência de quem o questiona e da relação que constrói com a comunidade a que pertence.

Obrigado por teres atravessado regimes, crises, revoluções, transformações sociais e mudanças tecnológicas sem perderes a razão de existir. Por teres passado da tipografia ao digital, do papel ao ecrã, sem deixares de procurar o que realmente faz falta, a verdade dos factos e o direito das pessoas a estarem informadas.

Cento e cinquenta anos depois, não te agradecemos apenas pelo que foste. Agradecemos-te pelo que continuas a representar. Pela memória que preservas, pela independência que tens de honrar, pela responsabilidade de escrutinar o poder e pela obrigação de acompanhar uma Madeira que muda, cresce, se transforma e continua a precisar de perguntas, respostas e explicações.

Uma história tão longa tem que ser continuada. E o teu maior legado não será apenas o de teres chegado até aqui, mas o de continuares a merecer um lugar na vida dos madeirenses.

Hoje, a gratidão mistura-se com a exigência. A memória, com a ambição. O orgulho, com a consciência de que há sempre mais uma história para contar, mais uma injustiça para denunciar, e mais um dia para cumprir a missão.

Obrigado, DIÁRIO, por estes 150 anos a contar a Madeira.

Que os próximos sejam também de ousadia, rigor, liberdade e compromisso. Que continues a incomodar quando for preciso, a surpreender quando menos se espera e a estar próximo sem deixar de ser independente.

Porque há jornais que registam o tempo. E há jornais que acabam por fazer parte dele. Tu és um deles. E a tua história continua.

Ana Maria Fernandes