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Sindicato pede solução que dignifique selecção e reconheça Ronaldo

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O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) pediu hoje uma solução que permita preservar a dignidade da seleção portuguesa e o reconhecimento do capitão Cristiano Ronaldo, que abandonou na quarta-feira o estágio dos lusos.

"Acreditamos que devem ser feitos todos os esforços para promover uma aproximação entre as partes e encontrar uma solução que permita preservar o que verdadeiramente importa: a dignidade da seleção nacional, o respeito pelas suas instituições e o reconhecimento devido ao maior jogador da história do futebol português", revelou o SJPF, em comunicado.

Cristiano Ronaldo, de 41 anos, deixou na quarta-feira o estágio da seleção lusa por decisão própria, na véspera do jogo de hoje frente à Dinamarca para a terceira jornada do Grupo A4 da Liga das Nações, em Copenhaga.

"Os acontecimentos dos últimos dias geraram uma enorme comoção entre os jogadores, os adeptos e todos os que acompanham o futebol português. Independentemente das circunstâncias que conduziram a este desfecho, há uma verdade que deve permanecer acima de qualquer divergência ou momento de tensão: Cristiano Ronaldo ocupa um lugar único e irrepetível na história do futebol português", observou o SJPF.

O ex-avançado de Sporting, Manchester United, Real Madrid e Juventus foi titular na vitória sobre o País de Gales (1-0) em 24 de setembro, em Lisboa, ao cumprir 67 minutos na estreia de Jorge Jesus como sucessor do espanhol Roberto Martínez e na jornada inaugural da Liga das Nações.

Três dias depois, Ronaldo não jogou no triunfo frente à Noruega (2-1), em Oslo, e deixou o relvado logo após o apito final, aparentemente insatisfeito por ter feito exercícios de aquecimento na segunda parte sem sair do banco de suplentes, não se juntando aos colegas de equipa nos agradecimentos aos adeptos lusos e falhando todos os treinos seguintes.

"Ao longo de mais de duas décadas, foi muito mais do que um extraordinário jogador. Foi o capitão de uma geração, um exemplo de ambição, profissionalismo e dedicação ao serviço do país. Conduziu Portugal a conquistas que durante muitos anos pareciam impossíveis e ajudou a transformar o futebol português numa referência mundial", lembrou o SJPF.

Nas redes sociais, Cristiano Ronaldo garantiu que "a seu tempo" dirá "a verdade a todos os portugueses sobre as razões" que o levaram a abandonar a comitiva, após ter conversado com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, já depois do anúncio de Jorge Jesus de que o capitão não seria titular na partida na Dinamarca.

"A dimensão mediática deste caso não deve fazer-nos esquecer o essencial. Não podemos permitir que um debate legítimo sobre decisões ou acontecimentos recentes se transforme numa divisão entre portugueses, nem que o legado de quem tanto deu à seleção seja diminuído por discursos marcados pelo ressentimento, pela desvalorização ou pelo ódio que se tem multiplicado nas redes sociais e no espaço público", acrescentou a entidade liderada por Joaquim Evangelista.

A FPF confirmou, sem adiantar explicações, a saída de Ronaldo, que tem um recorde mundial de 234 internacionalizações e 146 golos pela seleção principal de Portugal, com a qual conquistou o Euro2016 e as Ligas das Nações de 2019 e 2025.

"O futebol português é hoje mais forte porque teve Cristiano Ronaldo. A história da nossa seleção não pode ser contada sem reconhecer que muitas das suas páginas mais brilhantes foram escritas com o seu talento, a sua liderança e a sua capacidade única de elevar todos os que estavam à sua volta", vincou o SJFP, endereçando uma mensagem de confiança e apoio aos jogadores, à equipa técnica e à FPF para o próximo encontro.

Portugal, líder isolado, com seis pontos, visita hoje a Dinamarca, terceira classificada, com três, às 20:45 locais (19:45 em Lisboa), no Estádio Parken, em Copenhaga, em duelo da terceira jornada do Grupo A4 da Liga das Nações, sob arbitragem do ucraniano Mykola Balakin.