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Saída de Cristiano Ronaldo da Selecção divide opiniões no Funchal

Há quem entenda que chegou o momento de dar espaço aos mais novos, mas também quem defenda que o capitão ainda deveria ter uma última oportunidade para vestir a camisola de Portugal

 Foto: IMAGO
 Foto: IMAGO

O DIÁRIO foi para as ruas do Funchal perceber o que pensam os madeirenses da saída prematura de Cristiano Ronaldo da selecção nacional e apesar das opiniões divergirem no que concerne aos motivos e atitudes adoptadas pelo capitão da equipa das ‘quinas’, todos os abordados reconheceram que este representa um momento muito triste para os madeirenses.

José Ferreira assumiu de imediato que é fã incondicional de Cristiano Ronaldo, mas não deixou de defender que “chegou a altura de dar lugar aos mais novos”.

“Acho que ele deve ter noção que, embora fisicamente esteja bem, o rendimento dele já não é o mesmo e tem de deixar os mais novos jogar. Sou fã dele, mas tenho de reconhecer que apesar de ainda jogar já não é o mesmo”, explicou ao DIÁRIO, tendo adiantado ainda que a decisão deveria ter sido tomada a frio, após o término da Liga das Nações.

Já Martim Fernandes, acredita que Portugal “deveria valorizar mais o Ronaldo, mesmo não estando na melhor fase”, e deixou o exemplo da “Argentina, que mesmo com o Messi a não estar na melhor fase valorizam o jogador pelo impacto que ele tem não só dentro de campo, mas também no balneário”.

“Também defendo que Ronaldo não esteve bem. Deveria ter continuado. Como capitão deveria apoiar os seus colegas, quer no campo como no balneário. Um pouco como ele fez no final do Euro 2016”, sublinhou o estudante.

Quando questionados sobre a reacção de Ronaldo no final do jogo com a Noruega, quando não se juntou aos colegas para agradecer aos adeptos, a opinião foi unânime, porque o capitão “tem de dar sempre o exemplo”.

“Não foi bonito, porque como capitão devia dar o exemplo. Devia ter ido cumprimentar os adeptos, porque são fundamentais no futebol. Foi uma atitude feia, principalmente para um jogador com o estatuto dele”, sublinhou José Ferreira.

João Pedro, lojista de profissão, considerou que o mais importante é o futuro da Selecção, com ou sem Cristiano Ronaldo, tendo referido que “nesse momento pode não ter conseguido controlar a sua frustração”.

“Para mim, acho que o que importa é que Portugal tenha bons resultados, seja com ou sem Ronaldo”, sublinhou.

A utilização do número 7 por Rafael Leão também não passou despercebida.

“Discordo totalmente. Por estarmos a meio do torneio acredito que não deveria haver essa mudança. O número 7, pelo impacto do Ronaldo, não deveria ser dado tão facilmente como foi dado ao Rafael Leão”, apontou Martim Fernandes, que envergava a camisola da equipa das ‘quinas’.

Quanto ao impacto de toda esta polémica no jogo de hoje, diante da Dinamarca, as opiniões dividem-se. João Pedro acredita que terá influência sobretudo fora do campo, enquanto Rodrigo Oliveira e Martim Fernandes admitem que poderá ter reflexos dentro do balneário.

Questionados sobre se gostariam de ver Ronaldo vestir, pelo menos mais uma vez, a camisola portuguesa, a resposta foi afirmativa em todas as ocasiões, porque merece “uma despedida digna, de preferência a envergar um trofeu”.