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Conflito no Sudão entrou no quinto mês ainda sem tréguas à vista

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O conflito no Sudão entrou no seu quinto mês com operações de grande envergadura do exército, que bombardeou hoje vários locais do grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido em Cartum e arredores, sem que se vislumbrem tréguas.

Em comunicado, o exército sudanês afirmou que as suas forças especiais bombardearam concentrações de combatentes das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) na zona de Al Bagir, que separa Cartum e o estado de Al Jazeera, no centro do Sudão, onde causaram "a destruição de vários veículos de combate dos rebeldes, matando e ferindo dezenas de rebeldes".

Testemunhas disseram à agência Efe que os dois beligerantes trocaram tiros no centro de Um Durman, bem como nos bairros de Al Quz, Al Rumaila e Al Hilla al Jadida, no sul e no centro de Cartum.

Os combates também se intensificaram nos últimos dias na cidade de Nyala, capital do estado de Darfur do Sul, provocando a fuga de cerca de 20.000 pessoas para Al Fasher, a capital de Darfur do Norte, segundo o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA) no Sudão.

De acordo com o OCHA, os cidadãos em fuga enfrentam condições humanitárias e económicas extremamente difíceis devido à pobreza enraizada na comunidade e à ausência ou difícil acesso das organizações humanitárias e das agências da ONU.

A cidade e outras zonas de Darfur foram palco, desde quinta-feira, de violentos combates entre tribos árabes da região, que faz fronteira com o Chade, alegadamente provocados pelo exército e pelas RSF, que mataram pelo menos 120 pessoas, embora o conflito tenha acalmado no domingo graças aos esforços dos líderes tribais da zona.

Desde o início do conflito, em 15 de abril, cerca de 4,5 milhões de pessoas fugiram das suas áreas de residência, 3,4 milhões das quais são deslocados internos e pouco mais de um milhão refugiaram-se nos países vizinhos, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O conflito desencadeou-se depois de as RSF se terem rebelado contra o exército e, até à data, a guerra causou entre 1.000 e 3.000 mortos, de acordo com diferentes estimativas.