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Fact Check Madeira

Será que as notícias de recordes no turismo da Madeira não são fiáveis por provirem do Governo Regional?

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Durante o ano de 2023 e com especial incidência na última parte do ano, têm surgido notícias nos órgãos de comunicação do País e, por maioria de razão, na Madeira, que dão conta de vários recordes alcançados no sector turístico madeirense.

Uma das últimas notícias surgiu ontem, com o secretário regional do Turismo, Eduardo Jesus, a se congratular pelo facto de, pela primeira vez, a Madeira ver ultrapassados dez milhões de dormidas num ano.

Entre os vários comentários suscitados nas redes sociais, houve quem tenha insinuado a não fiabilidade das notícias, por provirem, ao que era afirmado, sempre do Governo Regional ou de entidades com ele relacionadas. Mas será mesmo assim?

Uma análise a muitas das notícias, publicadas em 2023, sobre os bons resultados do turismo na Madeira, permite verificar que a esmagadora maioria delas teve como base a divulgação de dados estatísticos pela Direcção Regional da Estatística (DREM).

Houve igualmente, alguns indicadores, dados na proximidade de grandes eventos, como a Festa da Festa da Flor, a Festa do Vinho, o Carnaval ou o Natal e fim do ano, em que os números revelados tiveram como base levantamentos feitos pela Secretaria Regional do Turismo, sobre a ocupação hoteleira.

Outras entidades, como a ACIF – Associação de Comercial e Industrial do Funchal – também falam e divulgam indicadores, mas, regra geral, com base nos dados coligidos e divulgados pela DREM.

Mas também houve grupos empresariais privados a falarem dos seus bons resultados, nomeadamente na Madeira. Um deles foi o Grupo Pestana que, em Abril, veio revelar lucros de mais de 100 milhões de euros, obtidos em 2022, com destaque para o crescimento alcançado na Madeira.

O recurso a dados da DREM para demonstrar o desempenho dos vários sectores económicos e sociais não é um exclusivo do turismo, muito pelo contrário. Ter serviços de estatística independentes e credíveis são uma marca das democracias modernas, o que não invalida erros ou interpretações erróneas de dados.

A nível nacional é frequente vermos, por exemplo, previsões de desempenho económico, que ficam pendentes até oficialização pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que que corresponde na Madeira à DREM. Aliás as duas instituições trabalham em cooperação e complementaridade. O mesmo se pode dizer a nível europeu com o Eurostat, serviço de estatísticas da União Europeia.

Qualquer um dos serviços referidos (regional, nacional e europeu) dependem administrativamente do poder político, mas têm independência técnica.

Não significa isto que o poder político não seja tentado a dar relevo ao que lhe convém e a apoucar o que lhe é menos agradável. Mas isso não é sinónimo de que os dados base, que usa, não sejam fiáveis.

Apenas uma nota final para esclarecer que as entidades estatísticas, muitas vezes, fazem os estudos por estimativas ou por amostragem, o que, por natureza, os torna menos fiáveis do que os demais. É por razões práticas. Por exemplo: a contagem da população é feita de dez em dez anos. Devido à logística que implica, não seria praticável fazê-la mensalmente, nem mesmo anualmente. No intervalo das duas contagens são feitos cálculos, tendo em conta as pessoas que morrem, as que nascem e as que migram. Outro exemplo pode ser dado com a taxa de emprego: os dados revelados mensalmente são por projecção estatística, com base em inquéritos feitos às empresas. Nenhuma destas situações se aplica à contagem de camas ou ao rendimento por quarto, só para exemplificar, de um destino turístico.

Assim, é falso que os dados relativos ao turismo da Madeira não sejam fiáveis pelo facto das respectivas notícias provirem do Governo Regional ou de entidades com ele relacionadas.

Os dados relativos ao turismo da Madeira não são fiáveis pelo facto das respectivas notícias provirem do Governo Regional ou de entidades com ele relacionadas.