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Tablets e manuais digitais nas escolas? Sim. E o estudo científico?

A modernização e a transformação digital tornaram-se irreversíveis nas nossas vidas impondo as suas leis a um ritmo célere e pouco consolidado, apesar das vantagens inquestionáveis. Como é evidente, as escolas deverão acompanhar essa revolução (social, profissional e cultural), integrando-a em todas as suas práticas letivas, organizativas e administrativas.

A inovação e a introdução (profunda) das novas tecnologias de informação e comunicação nas aulas poderão ser medidas estruturantes e decisivas para a tão desejada mudança da escola, se forem implementadas não porque é moda, “é bonita, (e) apresenta-se bem”, nem apenas como processo de substituição do quadro preto ou meras ferramentas de trabalho direcionadas para a pesquisa de conteúdos programáticos e o ensino à distância, mas, sobretudo, como meios de transformar metodologias e desenvolver novas praticas pedagógicas, dentro e fora da sala de aula, investindo num novo paradigma de Escola, criando verdadeiros ambientes inovadores de aprendizagem, atrativos e adaptados aos novos tempos. Saibamos o valor e o alcance desta oportunidade.

A aplicação generalizada das tecnologias digitais, se estiverem sustentadas com uma planificação rigorosa, assente na formação dos(as) docentes, com um acompanhamento estruturado, uma avaliação contínua e visão estratégica, possuem potencialidades determinantes na criação de um novo modelo educativo, sem esquecer, ou desvalorizar, a evolução rápida e o dinamismo destas novas tecnologias, implicando, por isso, um investimento constante.

Na Região, o programa de implementação dos tablets e dos manuais digitais no ensino é positivo pelas vantagens que proporciona ao nível das aprendizagens, da interatividade que cria, das diversas competências que desenvolve, do impacto positivo ao nível do peso excessivo dos manuais em papel, bem como pelas novas possibilidades que disponibiliza aos (às) docentes no âmbito da preparação das aulas, das metodologias utilizadas, da definição e acompanhamento das atividades letivas e do trabalho pedagógico desenvolvido com os(as) estudantes.

A estratégia é inovadora. Necessita, todavia, de alguns acertos, quer ao nível da formação de professores(as), quer no âmbito dos equipamentos informáticos, pois, entregar computadores, tablets, software e aplicações dos manuais digitais iguais a todos e a todas não garante a promoção de uma escola inclusiva, não responde às necessidades específicas dos(as) alunos(as) que necessitam de adaptações significativas para que tenham a possibilidade de ter acesso ao currículo e às aprendizagens em situação de igualdade.

Esta inovação vai implicar uma grande mudança na vida dos alunos e das alunas, ao nível do estudo, da aquisição de conhecimentos, das aprendizagens e, inclusive, no âmbito da prevenção para novas situações na área da saúde, com reflexos no presente, mas, fundamentalmente, no seu futuro. Neste sentido, para percebermos a sua evolução e a dimensão dos impactos, em prol da qualidade, do rigor e do sentido de responsabilidade, seria crucial realizar um estudo científico, em parceria com a Universidade da Madeira, sobre todo o processo de implementação dos tablets e dos manuais digitais nas escolas da Região, assegurando uma avaliação contínua e um acompanhamento pedagógico rigoroso.