Assinala-se amanhã, 16 de Maio, o Dia Mundial da Consciencialização da Doença Celíaca. Uma data que pretende alertar para a importância do diagnóstico precoce, da alimentação sem glúten e do acompanhamento adequado da doença.
O que é a doença celíaca?
De acordo com o site do SNS 24, a doença celíaca é uma doença autoimune crónica desencadeada pela ingestão de glúten. Quando uma pessoa com esta condição consome alimentos com glúten, o organismo reage de forma inadequada e provoca uma inflamação no intestino delgado.
Essa inflamação danifica a mucosa intestinal e compromete a absorção de nutrientes essenciais ao funcionamento do corpo.
O que é o glúten?
O glúten é um conjunto de proteínas presente em cereais como trigo, cevada, centeio e, em alguns casos, aveia. Está presente em muitos alimentos do quotidiano, como pão, massas, bolachas, cereais e vários produtos processados.
Nem todas as reacções ao glúten são doença celíaca
Existem outras formas de sensibilidade relacionadas com o glúten e o trigo. Uma delas é a sensibilidade ao glúten não-celíaca, em que os sintomas surgem algumas horas ou dias após o consumo de glúten e provoca desconforto abdominal, inchaço ou alterações intestinais. Já a alergia ao trigo pode causar reacções rápidas e potencialmente graves, incluindo dificuldade em respirar, tosse e inchaço da boca ou da língua.
Quais são as causas?
A doença celíaca resulta da combinação de vários factores, nomeadamente genéticos, imunológicos e ambientais.
Os especialistas apontam que a predisposição genética, associada à resposta anormal do sistema imunitário ao glúten, está na origem da doença.
Em que idade pode surgir?
A doença pode manifestar-se em qualquer idade, desde que o glúten já tenha sido introduzido na alimentação.
Nas crianças, é mais frequente surgir entre os 6 e os 24 meses, após o início do consumo de alimentos com glúten.
Sintomas podem variar muito
Os sintomas da doença celíaca nem sempre são iguais e podem variar entre crianças e adultos.
Nas crianças, os sinais mais frequentes incluem diarreia crónica, prisão de ventre, barriga inchada, dor abdominal, falta de apetite e vómitos.
Também podem surgir sintomas menos evidentes, como atraso no crescimento, anemia, cansaço constante, alterações de humor, ansiedade, dores de cabeça e aftas recorrentes.
Nos adultos, as queixas digestivas podem ser mais ligeiras ou passageiras. Além disso, podem surgir osteoporose precoce, défice de vitaminas e cálcio, alterações hormonais, infertilidade, menopausa precoce, abortos recorrentes e lesões na pele.
Quais são as complicações?
Sem tratamento adequado, a doença celíaca pode provocar várias complicações devido à dificuldade de absorção de nutrientes.
Entre os principais riscos estão osteoporose carências nutricionais e aumento do risco de algumas doenças, como o linfoma intestinal.
Quem tem maior risco?
Existem grupos considerados de maior risco para desenvolver doença celíaca, sendo eles familiares directos de pessoas com a doença; pessoas com diabetes tipo 1; doenças autoimunes da tiroide; artrite idiopática juvenil; doenças autoimunes do fígado e síndromes genéticas como Down, Turner e Williams.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se na avaliação dos sintomas e em exames específicos.
Os principais métodos incluem análises para detectar anticorpos, biópsia ao intestino delgado e teste genéticos em casos específicos. Os especialistas alertam que não se deve retirar o glúten da alimentação antes da confirmação do diagnóstico, para evitar resultados inconclusivos.
Existe tratamento?
Actualmente, não existe cura nem tratamento farmacológico para a doença celíaca.
O único tratamento eficaz consiste numa dieta rigorosa sem glúten ao longo de toda a vida. Quando o glúten é eliminado da alimentação, o intestino consegue recuperar da inflamação e os sintomas tendem a melhorar significativamente. Além disso, é importante manter uma alimentação equilibrada e nutricionalmente completa.
É possível prevenir?
Não existe forma de impedir o aparecimento da doença, mas algumas recomendações podem ajudar a reduzir o risco ou atrasar sintomas. A Sociedade Europeia de Gastroenterologia e Nutrição Pediátrica aconselha que o glúten não seja introduzido antes dos quatro meses de idade e recomenda moderação nas quantidades oferecidas nos primeiros tempos.
O aleitamento materno exclusivo até aos seis meses também parece ter um efeito protector.
A doença celíaca desaparece?
A doença celíaca não é reversível. Mesmo que os sintomas desapareçam com a dieta sem glúten, a condição mantém-se ao longo da vida. Ainda assim, com acompanhamento adequado e cuidados alimentares, muitas pessoas conseguem controlar a doença e ter uma vida normal.