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Conselho Económico e Social dos Açores preocupado com evolução das finanças da região

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Foto Arquivo

O Conselho Económico e Social dos Açores (CESA) expressou hoje preocupação com a "evolução negativa" das finanças públicas regionais, alertando que a região fechou 2025 com um défice de 5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em declarações aos jornalistas, o presidente da comissão de Economia e Desenvolvimento do CESA realçou que, após as correções, os Açores registaram um défice na ordem de 305,5 milhões de euros em 2025, o que representou cerca de 5% do PIB da região.

"Significa que gastámos mais do que aquilo que tínhamos arrecadado em 305,5 milhões de euros. É óbvio que isso teve como consequência o aumento da dívida da região. Não deixamos de estar preocupados com essa evolução negativa das contas", reforçou Gualter Couto, que falava em Ponta Delgada, após a reunião do CESA que analisou a Conta da Região de 2025.

O economista alertou que o aumento do défice em 2025 aconteceu num "ano particularmente afetado pelos investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência", um contexto que "vai continuar a ter repercussões em 2026".

Gualter Couto sinalizou que em 2024 e 2025 a Madeira e o todo do país registaram excedentes orçamentais ('superavits'), enquanto os Açores registaram défices, alertando para um "problema" ao nível das receitas e da Lei de Finanças Regionais.

"Quer em 2024, quer em 2025, a nível nacional, Portugal, e ao nível da Região Autónoma da Madeira, apresentaram 'superavits', enquanto nós estivemos a acumular défices. Sabemos que vêm anos desafiantes pela frente, era importante que tivéssemos amealhado mais dinheiro", defendeu.

O dirigente do CESA adiantou ainda que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) assegurou que "provavelmente em 2026 a região vai ter contas muito mais equilibradas".

Já a presidente do CESA, Piedade Lalanda, reiterou que a região tem de "estar preocupada com o pós-PRR" (Plano de Recuperação e Resiliência), alertando para as consequências do fim do programa no setor da construção civil.

Piedade Lalanda destacou também o impacto do setor da saúde e das empresas públicas no endividamento da região, considerando um "problema" os atrasos no pagamento aos fornecedores.

"Continua a ser um problema que a região está a sentir, o atraso no pagamento a fornecedores. Sem dúvida que quando as pequenas empresas ficam sem pagamento por parte do governo isso tem impacto depois no emprego", disse.

Por outro lado, a líder do CESA considerou a "baixa taxa de desemprego em 2025" como um "aspeto positivo", mas pediu atenção para o desemprego entre os jovens e mulheres.

"O CESA alertou que, tendo em conta os dados publicados, há um aumento da taxa de desemprego por parte dos jovens e há uma clara desigualdade entre homens e mulheres em termos de desemprego, mais gravoso para as mulheres", acrescentou.