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PR pede modelo de apoio à comunicação social consensual e estável

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Foto FILIPE AMORIM/LUSA

O Presidente da República pediu hoje que se encontre um modelo de apoio à comunicação social consensual e estável, que assegure a independência dos media, numa mensagem por ocasião dos 40 anos da agência Lusa.

"É importante que o país encontre um modelo de apoio à comunicação social que seja consensual, estável e garanta a independência dos meios de comunicação", declarou António José Seguro.

A mensagem do chefe de Estado, gravada em vídeo, com cerca de três minutos, foi transmitida hoje no fim de uma conferência comemorativa dos 40 anos da Lusa, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, sobre "Democracia e Desinformação: Desafios dos Media e do Serviço Público na Era Digital".

O Presidente da República considerou que este é um tema "da maior importância" e que deve ser debatido noutros fóruns e também nas escolas.

"É nas escolas que começa aquilo que verdadeiramente nos protege: a formação de um pensamento crítico, o hábito de colocar a dúvida como método, o cuidado de validar as fontes. São práticas essenciais para que cada cidadão se sinta mais informado e mais livre nas suas escolhas", argumentou.

Depois, António José Seguro falou sobre a questão da sustentabilidade económica dos órgãos de comunicação social, manifestando preocupação com situações de "vulnerabilidade económica" e as suas implicações.

"A vulnerabilidade económica traduz-se quase sempre em menos qualidade, menos liberdade e maior dificuldade em cumprir a função essencial do jornalismo", referiu.

Neste contexto, defendeu que se deve encontrar "um modelo de apoio à comunicação social que seja consensual, estável e garanta a independência dos meios de comunicação", sem aprofundar o tema nesta curta mensagem.

Sobre a desinformação, António José Seguro enquadrou-a como um fenómeno antigo: "Basta percorrer a história da propaganda ou recordar o que esteve na origem de alguns acontecimentos que marcaram profundamente a humanidade para encontrarmos de forma abundante a manipulação e o rumor transformados em ódio, frequentemente, com vestimenta militar, religiosa ou envoltos numa bandeira política".

"O que é novo hoje é a escala e a velocidade. Convivemos ao mesmo tempo com o tempo da pós-verdade e com plataformas de dimensão verdadeiramente imperial, onde um só clique pode abalar a confiança numa pessoa, numa instituição, num país, numa etnia ou numa confissão religiosa", descreveu, acrescentando que não faltam exemplos "desde a manipulação de processos eleitorais, a episódios de desinformação que geram tensão social e violência".